O Ministério da Saúde ainda não confirma oficialmente a transferência de 10 doentes portugueses para a Áustria, tal como foi avançado hoje pelo governo austríaco, mas admite que a opção está a ser ponderada.

Em comunicado enviado às redações, o ministério admite que a Áustria "disponibilizou capacidade para tratamento de 10 doentes de cuidados intensivos em diversos hospitais do país".

No entanto, o Governo continua a sublinhar que esta é apenas "uma opção", que foi "encaminhada para ponderação pela Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a COVID-19".

Recorde-se que o governo austríaco anunciou esta sexta-feira que vai acolher dez pacientes portugueses em unidades de cuidados intensivos (UCI) para "ajudar a salvar vidas" durante a pandemia de covid-19.

Segundo noticiava a agência EFE, cinco dos doentes têm infeções graves de covid-19. Os restantes estão internados com outras doenças.

O mesmo comunicado do Ministério da Saúde enviado à tarde refere que este apoio "poderá ser fundamental num momento em que Portugal enfrenta ainda uma elevada pressão sobre os hospitais".

Os contactos entre os governos português e austríaco começaram "no final da semana passada".

"O Governo Português sublinha que são gestos importantes de solidariedade europeia, mas simbólicos na batalha da pandemia."

O ministério indica ainda que Portugal já recebeu "várias ofertas, estando todas as hipóteses a ser consideradas no sentido de continuar a assegurar os cuidados de saúde aos portugueses".

É uma questão de solidariedade europeia oferecer ajuda rápida sem burocracia para salvar vidas humanas. Tal como acolhemos [no passado] doentes de cuidados intensivos de França, Itália e Montenegro, queremos agora ajudar Portugal nesta difícil situação", tinha anunciado o chanceler austríaco Sebastian Kurz, em comunicado.

Segundo a agência noticiosa EFE, os doentes portugueses serão transportados para clínicas em Viena e quatro outras regiões do país em aviões do exército federal austríaco, numa data ainda por confirmar pelos dois Governos, que estarão a finalizar os detalhes do acordo.

Já o ministro da Saúde austríaco, Rudolf Aschober, vincou que esta assistência é possível graças a uma “ligeira melhoria” ao nível dos internamentos em unidades de cuidados intensivos no país, onde cerca de 300 pessoas estão hospitalizadas em estado grave devido à covid-19, menos de metade do número no final de novembro, na segunda vaga da pandemia, quando chegaram a estar internadas mais de 700 pessoas em UCI.

Catarina Pereira