A Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro (CUSPAS) defendeu, esta quarta-feira, que os problemas na Soflusa são “inteiramente da responsabilidade da administração” da empresa que pretende “atirar a culpa para cima dos trabalhadores”.

Em comunicado, a CUSPAS lembra que já tinha alertado para os problemas na empresa, adiantando que “persiste a degradação do serviço dos transportes fluviais da Soflusa nas ligações Barreiro-Lisboa-Barreiro”.

São constantes os atrasos e a supressão de carreiras, sobretudo às primeiras horas da manhã. Centenas de utentes veem assim a sua vida prejudicada e com sérios prejuízos no cumprimento dos seus horários de entrada nos seus empregos e escolas/universidades”, salientam em comunicado.

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Segundo a CUSPAS, há utentes “a quem é descontado o tempo de atraso sem que isso corresponda a qualquer responsabilidade sua”, frisando que a responsabilidade “é inteiramente da Administração da Soflusa e dos sucessivos governos que não tomaram, em devido tempo, as medidas de renovação da frota e o necessário aumento do quadro de pessoal da empresa”.

De pouco serve a administração da Soflusa vir, sucessivamente, pedir desculpas aos utentes alegando constrangimentos de ordem laboral. Esta justificação, precária, mas não ingénua, pretende atirar a culpa para cima dos trabalhadores da Soflusa”, acrescentam no documento.

A Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro “não aceita tais desculpas e exige, em nome dos utentes e com a legitimidade de quem, reiteradamente, tem vindo a alertar para as constantes falhas, a resolução dos problemas estruturais existentes”.

Como forma de reforçar o seu protesto e as suas reivindicações, a CUSPAS reiterou o pedido para que se realize, o mais urgente possível, uma reunião com o Conselho de Administração da Soflusa”, pode ler-se ainda no documento.

A Comissão de Utentes acrescentou ainda que pediu reuniões com as administrações de várias empresas de transportes com intervenção na região.

A CUSPAS, juntamente com outras comissões de utentes, irá estudar formas de luta e protesto a propor aos utentes na convicção de que “não pode aceitar a inércia e falta de vontade em resolver os problemas dos cidadãos”, referem.

A Soflusa anunciou na terça-feira não conseguir prever quando vai repor as ligações fluviais entre Barreiro e Lisboa, que começaram a ser suprimidas desde sexta-feira devido à greve às horas extraordinárias dos mestres, por faltarem 24 destes profissionais.

Em resposta por escrito a questões colocadas pela agência Lusa, a Soflusa esclareceu na terça-feira que, “dada a escassez de tripulantes habilitados a exercer a função de mestre, ainda que existam esforços da empresa e um diálogo permanente com a comissão de trabalhadores e sindicatos, não pode prever a reposição da normalidade operacional”.

As supressões de horários, no período noturno, “resultam do agravamento das limitações de recursos humanos na empresa”.

Em falta, detalhou a Soflusa, estão 24 mestres para “assegurar a totalidade dos horários comerciais”.

Além disso, os mestres estão em greve às horas extraordinárias, depois do pré-aviso de greve do Sindicato dos Transportes Fluviais Costeiros e da Marinha Mercante, a qual se prolonga até 31 de dezembro deste ano.

A empresa adiantou ainda que abriu concurso para as vagas de mestres e “aguarda, a todo o momento, autorização para a contratação” de mais trabalhadores.

A Soflusa é responsável por fazer a ligação entre o Barreiro e Lisboa, enquanto a Transtejo assegura as ligações fluviais entre o Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão e Lisboa.