O antigo banqueiro Ricardo Salgado, um dos principais arguidos da Operação Marquês, já respondeu em tribunal às perguntas do juiz Ivo Rosa e garantiu à saída, em declarações aos jornalistas, que não houve questões sobre José Sócrates.

Não me perguntaram nada sobre José Sócrates. Fui chamado para falar sobre as relações com Zeinal Bava”, revelou o ex-banqueiro.

Ricardo Salgado salientou que no seu depoimento "não há discrepâncias" com o que Zeinal Bava declarou sobre este assunto na sua inquirição, na semana passada.

O ex-presidente do BES disse que respondeu a todas as questões que lhe foram colocadas pelo juiz Ivo Rosa.

Ricardo Salgado garantiu ainda que acredita que tudo ficou "esclarecido hoje em tribunal" e voltou a sublinhar a sua inocência.

O que posso garantir, e já disse várias vezes, eu nunca na minha vida corrompi ninguém”.

Já quanto a Carlos Santos Silva, apontado como “testa de ferro” de Sócrates, o arguido afirmou: “Nem sequer ouvi falar desse nome”.

Fonte ligada ao processo Operação Marquês revelou, porém, que Ricardo Salgado não quis falar nem de José Sócrates nem do negócio com a empresa de telecomunicações brasileira VIVO.

No processo Operação Marquês, o Ministério Público questiona, entre outras matérias, a eventual influência de Ricardo Salgado junto do Governo de José Sócrates em negócios que tiveram a participação do Grupo Espírito Santo (GES), tais como a contestação à OPA da Sonae sobre a PT em 2006/2007, a cisão da PT Multimédia, a venda da Vivo à Telefónica em 2010 e a compra de 22,28% do capital da Oi por parte da PT.

Ricardo Salgado foi acusado da prática dos crimes de corrupção ativa de titular de cargo político, corrupção ativa, branqueamento de capitais, abuso de confiança, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada.

A Operação Marquês conta com 28 arguidos - 19 pessoas e nove empresas - e está relacionada com a prática de mais de uma centena e meia de crimes de natureza económico-financeira.

José Sócrates está acusado de crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal qualificada.

A acusação sustenta que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no GES e na PT, bem como garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos ao empreendimento Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.

Na Operação Marquês foram ainda acusados, entre outros, o empresário Carlos Santos Silva (apontado como “testa de ferro” de Sócrates), o ex-administrador do Grupo Lena Joaquim Barroca, Zeinal Bava, ex-presidente executivo da PT, Armando Vara, antigo deputado e ministro e ex-administrador da CGD, Henrique Granadeiro (ex-gestor da PT) e José Paulo Pinto de Sousa (primo de Sócrates).

O processo foi investigado durante mais de três anos, culminado com uma acusação com cerca de quatro mil páginas, tendo a fase de instrução, dirigida pelo juiz Ivo Rosa, tido início em janeiro, devendo prolongar-se durante todo o ano de 2019.