O Movimento para a Defesa da Boa Hora vai «brevemente» interpor uma acção cível junto dos tribunais para travar aquilo que considera «uma grande negociata» com a transformação do tribunal criminal em hotel.

Em declarações à Agência Lusa, Rui Rangel, presidente da Associação de Juízes pela Cidadania, promotora do Movimento, explicou que «a acção cível (providência cautelar ou uma acção popular) visa impedir o negócio da compra do edifício por particulares e a desafectação deste do sistema de Justiça».

A acção servirá ainda, adiantou o juiz, como «uma tentativa para demover os investidores privados de adquirirem um património público que faz parte da história dos portugueses».

«Vamos ver quem tem coragem de adquirir um imóvel que tem um conflito em tribunal», afirmou Rui Rangel.

O Movimento tem previsto para Abril, mês em que o Tribunal da Boa Hora faz 166 anos, várias iniciativas culturais e políticas, entre conferências, palestras, concertos e teatro, a realizar ao final do dia nos claustros do edifício.

Vão também ser pedidas audiências aos candidatos à presidência da Câmara Municipal de Lisboa nas próximas eleições autárquicas, nomeadamente António Costa (PS) e Pedro Santana Lopes (PSD), e aos partidos políticos.

O edifício da Boa Hora, um antigo convento na Rua Nova do Almada, faz parte de um conjunto de instalações que o Governo pretende alienar. O Tribunal vai ser transferido para o Parque das Nações, onde serão concentrados num "campus" judiciário tribunais e serviços do Ministério da Justiça.

A transformação do edifício da Boa Hora em hotel está prevista no plano da Sociedade Frente Tejo para a Frente Ribeirinha.