O ex-secretário de Estado das Obras Públicas Paulo Campos, disse à entrada em tribunal que em alguns casos vai repor a verdade perante o juiz de instrução do processo Operação marquês, Ivo Rosa.

Venho esclarecer o que o senhor juiz quiser ver esclarecido e em alguns casos repor a verdade", disse Paulo Campos, que foi secretário de Estado nos dois Governos de José Sócrates, aos jornalistas à entrada do tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) onde foi chamado a depor como testemunha.

Paulo Campos é tido como amigo do ex-primeiro-ministro José Sócrates, arguido no processo Operação Marquês, e esteve ligado a projetos como o aeroporto de Beja, o comboio de alta velocidade e o novo aeroporto de Lisboa.

O ex-governante socialista foi alvo de buscas, tal como o antigo ministro das Obras Públicas Mário Lino e o ex-secretário de Estado António Mendonça, no inquérito relacionado com as parcerias público-privadas (PPP) no setor rodoviário e ferroviário.

Uma das questões sobre a qual deverá ser interrogado prende-se com os negócios e adjudicações de obras públicas ao grupo empresarial Lena, que é também arguido neste processo. O inquérito da Operação Marquês culminou na acusação a um total de 28 arguidos - 19 pessoas e nove empresas - e está relacionado com a prática de quase duas centenas de crimes de natureza económico-financeira.

No processo Operação Marquês, o ex-primeiro-ministro José Sócrates está acusado de crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal qualificada.

A acusação sustenta que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no Grupo Espírito Santo (GES) e na PT, bem como garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos ao empreendimento Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.

Paulo Campos diz que defende Sócrates

O antigo secretário de Estado das Obras Públicas Paulo Campos disse hoje em tribunal que o Governo de José Sócrates assumiu uma posição neutral em relação à Portugal Telecom e que a OPA da Sonae à PT não foi concertada.

Segundo fonte judicial, Paulo Campos, que foi chamado ao Tribunal Central de Instrução Criminal pela defesa do ex-primeiro-ministro, esteve mais de quatro horas a ser inquirido, tendo muitas vezes feito a defesa do Governo socialista do qual fez parte e das decisões de José Sócrates.

O antigo governante disse também que Sócrates esteve reunido com Ricardo Salgado, presidente do Grupo Espírito Santo, uma hora antes da Assembleia geral da PT na qual foi decidido vender a venda da Vivo à Telefónica em 2010.

Paulo Campos disse também que desconhecia ter havido algum investimento de risco do BES.