O Tribunal de Aveiro absolveu dois homens, pai e filho adotivo, que estavam acusados de sete crimes de violação e abuso sexual de uma menor, quando tinha entre 10 e 14 anos, informou fonte judicial.

A vítima, que é filha do arguido mais velho, ausentou-se do país ainda antes do início do julgamento e não foi ouvida por um juiz.

«Não houve declarações para memória futura da menor, que desapareceu. Calculamos que tenha ido para Angola», explicou o juiz-presidente do coletivo que julgou o caso.

Ainda segundo o magistrado, as testemunhas que foram ouvidas em audiência de julgamento fizeram apenas referências «genéricas» com base nas queixas da adolescente.

Os arguidos remeteram-se ao silêncio durante o julgamento, que decorreu à porta fechada, por decisão do coletivo de juízes, devido ao caráter sexual dos crimes.

O pai, de 41 anos, que chegou a estar preso preventivamente, tendo sido libertado em junho do ano passado, estava acusado de dois crimes de abuso sexual de crianças agravados e três de violação, enquanto o filho adotivo, de 19 anos, estava acusado de dois crimes de abuso sexual de crianças.

Segundo o despacho de acusação, a que a Lusa teve acesso, a criança, atualmente com 15 anos, terá sido abusada sexualmente pelo pai e pelo irmão adotivo, em residências onde a família viveu em Ílhavo e Aveiro.

Os crimes terão começado em 2007, quando a vítima, então com 10 anos, veio para Portugal viver com o pai e os três irmãos, e continuaram até 2011.

A denúncia chegou ao conhecimento das autoridades policiais a partir da escola que a adolescente frequentava, por dar sinais, entre outros, de instabilidade emocional.
Redação