O Ministério Público requereu o julgamento do motorista do autocarro com turistas alemães que em abril se despistou em Santa Cruz (Madeira), “pela prática de 29 crimes de homicídio por negligência”, divulgou esta quinta-feira a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL).

De acordo com a nota publicada no site da PGDL, o requerimento de julgamento, em tribunal coletivo, refere-se também a três crimes de integridade física por negligência.

Em 17 de abril deste ano, o despiste do autocarro de turismo na Estrada da Ponta da Oliveira, na freguesia do Caniço, provocou 29 mortos e 27 feridos, dois dos quais portugueses.

Todas as vítimas mortais - 17 mulheres e 12 homens – eram de nacionalidade alemã e tinham uma média de idades entre 40 e 50 anos.

No autocarro acidentado seguia um grupo de turistas alemães que, nesse final de dia, se deslocava para um restaurante no Funchal, para um jantar típico.

O motorista e a guia turística ficaram gravemente feridos.

De acordo com a informação divulgada hoje pela PGDL, colaboraram na investigação e na recolha de prova deste acidente o Ministério Público e a Polícia de Segurança Pública (PSP) .

Também a Polícia Judiciária e o Instituto de Medicina Legal, cuja equipa foi reforçada na altura, procederam à identificação das vítimas, visando a celeridade do processo.

A perícia do autocarro foi efetuada pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Visto que as vítimas eram sobretudo alemãs, as autoridades judiciárias da República Federal da Alemanha, envolvendo a embaixada em Lisboa, colaboraram na “rápida inquirição para memória futura das vítimas residentes naquele país, ao abrigo da decisão europeia de investigação e da EUROJUST, que de modo eficaz facilitou a boa articulação entre o Ministério Publico, juiz de instrução criminal e as Autoridades Judiciárias alemãs”, refere a PGDL.

Depois deste acidente, aquele troço da estrada no concelho de Santa Cruz, contíguo a leste do Funchal, foi alvo de obras e suporte das bermas.

Portugal e a região decretaram na altura três dias de luto.