A trasladação do corpo de Afonso Tiago, que estava desaparecido em Berlim desde 10 de Janeiro, iniciou-se esta quarta-feira por estrada e o funeral realiza-se sexta-feira em Oliveira de Azeméis, disse à Agência Lusa um familiar.

O corpo, que deverá chegar a Portugal na madrugada de sexta-feira, ficará primeiro em câmara ardente na capela mortuária de Oliveira de Azeméis e o funeral está marcado para as 16:00 do mesmo dia nesta cidade, terra natal do engenheiro português.

O caixão já saiu chumbado da Alemanha, não será aberto e vai ficar em jazigo de família. Quanto à causa da morte, «os primeiros resultados da autópsia não apontam para crime, a morte terá ocorrido por afogamento», disse o mesmo familiar à Lusa.

A mesma fonte acrescentou ainda que «as investigações ainda não estão concluídas e o caso permanece em segredo processual até se esclarecer tudo». A família só recebeu informações relativas à autópsia via telefone e irá recebê-las posteriormente por escrito.

«Só após os exames complementares estarem concluídos se poderá esclarecer tudo, o que acontecerá num prazo de três a quatro semanas», acrescentou a mesma fonte.

Afonso Tiago desapareceu na madrugada de 10 de Janeiro, quando regressava a casa no bairro berlinense de Kreuzberg, a pé, depois de ter estado num bar com amigos portugueses.

De acordo com especialistas ouvidos pela Agência Lusa, o facto de o corpo ter permanecido tanto tempo - quase dois meses - sem ser encontrado no rio Spree, apesar das buscas policiais com barcos e mergulhadores, pode dever-se às baixas temperaturas das últimas semanas em Berlim, a rondar os zero graus centígrados.

Com tais condições atmosféricas, um corpo humano pode permanecer submerso, e o processo de decomposição retarda-se. Assim, a subida das temperaturas na semana passada em Berlim, que derreteram totalmente a camada de gelo que cobria o rio Spree, permitiu que o corpo surgisse quase à superfície.