O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, acusou esta sexta-feira, em Coimbra, as universidades públicas e privadas de não prepararem devidamente os licenciados em Direito e avisou que na Ordem só entram «os bons».

«A Ordem dos Advogados não vai estar aberta aos milhares e milhares de licenciados em Direito mal preparados cientificamente que as universidades públicas e privadas lançam todos os anos na sociedade portuguesa», frisou Marinho Pinto.

Ouvido pela agência Lusa à saída de uma reunião com vários núcleos de estudantes de Direito do país, onde foi discutido o exame de acesso à Ordem, o bastonário deixou o aviso: «só entram os bons».

«Queremos dignificar a advocacia. Para se ser advogado é preciso estar tanto ou mais preparado do que os magistrados do ponto de vista científico e o que temos assistido é que isso não está a acontecer», afirmou o advogado.

Marinho Pinto considera que os alunos de Direito foram enganados com o Processo de Bolonha que restringe o mercado de trabalho aos licenciados, «unicamente para que as universidades obtivessem mais dinheiro à custa dos estudantes».

«A ideia de lançar as pessoas mais cedo no mercado de trabalho é muito bonita, mas as pessoas têm é de ter formação. Hoje não é com diplomas que se consegue saídas é preciso saber», salientou o bastonário.

Com uma leitura diferente, o presidente do núcleo de estudantes de Direito da Universidade de Coimbra, Luís Silva, considera que «os estudantes não estão mal preparados ao ponto de 90 por cento não terem formação e qualificação mínima para passar no exame».

«Não sei se o bastonário tem ou não legitimidade para avaliar a qualidade dos cursos pós Bolonha. No entanto, se há cursos com pouca qualidade o senhor bastonário que os indique», desafiou Luís Silva em declarações à agência Lusa.