A Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC) alerta para o excessivo número de crianças que passam tempo de mais ao sol. Quatro em cada dez crianças até aos onze anos passaram mais de quatro horas por dia ao sol no ano de 2008. «Não podemos assistir a que 43 por cento das crianças tenham estado mais de quatro horas por dia expostas ao sol», afirma Osvaldo Correia, dermatologista e secretário-geral da APCC à Lusa.

Para 2009 estimam-se que surjam 10 mil novos casos de cancro de pele, dos quais mil serão melanoma, a forma mais grave da doença. «A pele memoriza, ao longo da vida, as agressões às quais foi sujeita, nomeadamente exposições súbitas ou prolongadas aos ultravioleta, sejam eles o sol ou os solários», alerta o especialista.

O dermatologista sublinhou que no ano passado, houve «um agravamento em relação aos cuidados com os perigos do sol com as crianças até aos 15 anos». Dados da associação revelam que sete por cento das crianças até aos 11 anos estiveram expostas diariamente seis horas ao sol. Da população dos 11 aos 15 anos, 52 por cento estiveram mais de quatro horas e 12 por cento mais de seis horas.«Isto é preocupante porque queimaduras solares e exposições prolongadas vão condicionar um maior número de sinais na idade adulta, que poderão originar cancro de pele, cujo número de casos estão a aumentar em todo o mundo» acrescenta.

Osvaldo Correia, que promove esta sexta-feira e sábado um encontro em Lisboa sob o tema «Viver com o sol», afirma que em Julho de 2008, 16 por cento da população relatava que já tinha tido uma queimadura solar nesse ano, sendo que 23 por cento eram crianças com menos de 11 anos e 39 por cento jovens entre os 11 e os 15 anos.

Em debate, no encontro, os especialistas irão referir a importância do vestuário, design e arquitectura na protecção solar, com especial enfoque na importância da arquitectura (jardins, parques, desarborização das cidades).