O endocrinologista Galvão-Teles alertou esta quinta-feira para o facto de a disfunção eréctil ser mais elevada nos diabéticos do que na população em geral, sendo, no entanto, uma alteração desvalorizada pelos médicos e pelos doentes, que ainda têm vergonha de contar os problemas sexuais.

Alberto Galvão-Teles coordenou o único estudo realizado em Portugal sobre a prevalência da disfunção eréctil em diabéticos, segundo o qual este problema é uma consequência frequente da diabetes, informa a Lusa.

O estudo verificou que, em 3548 homens entre os 40 e os 69 anos, 12 por cento eram diabéticos e, destes, 66 por cento tinham algum tipo de disfunção eréctil, um número «muito elevado».

«A diabetes é uma doença devastadora e, a maior parte das vezes, os clínicos trabalham e diagnosticam mais as complicações desta doença, esquecendo outras alterações que também são extremamente importantes, como a disfunção sexual nos homens e mulheres», adiantou o director da nova Unidade de Diabetes do Hospital CUF Infante Santo.

Para o médico, muitos dos aspectos da diabetes não são encarados por duas razões: «Por um lado, o doente não gosta de fazer perguntas e falar sobre os seus problemas sexuais e, por outro, os médicos portugueses têm uma medicina muito clássica e não perguntam sobre a parte sexual dos seus doentes».

O último Relatório Anual do Observatório Nacional de Diabetes mostra que existem mais de 900 mil diabéticos e quase metade desconhece sofrer desta doença.
Redação / VG