O psiquiatra Adriano Vaz Serra deixou, esta quinta-feira, um alerta e lamentou o facto de as doenças mentais não serem igualadas às físicas, apesar de serem «um dos mais graves problemas de saúde pública».

Na última lição como professor da Faculdade de Medicina de Coimbra, sustentou que as doenças mentais têm sido «largamente ignoradas e negligenciadas»<, acrescentando que estas podem causar doenças físicas devido ao constante diálogo entre corpo e cérebro.

Adriano Vaz Serra exemplificou com a elevada influência da depressão nas doenças cardíacas e na maior mortalidade dos doentes com cancro que se encontrem deprimidos, o que interfere com o sistema imunitário.

O especialista defendeu o tratamento precoce das doenças mentais, a alteração da visão estigmatizante da sociedade e a integração dos doentes pelo trabalho, no aproveitamento das suas capacidades.

Na sua «lição de despedida» referiu também a importância da relação médico-doente para o sucesso das terapias. «A relação empática com o doente é tão importante como o conhecimento do quadro clínico da psiquiatria», acentuou.

Para encerrar a última lição, recordou os primeiros enfermeiros do seu serviço e agradeceu aos seus colaboradores ao longo de décadas, afirmando que eles ficam guardados «num pequeno armazém do cérebro» que denominou de «memórias gratificantes».
Redação / VG