Há 43 incêndios activos em Portugal, de acordo com o último balanço divulgado pela Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) no seu site, às 15:00. Destes, há 15 considerados «mais significativos».

O fogo que concentra mais meios é de Aldeia da Serra, concelho de Seia, distrito da Guarda, onde estão 255 bombeiros, 81 veículos, três helicópteros e dois aviões bombardeiros pesados.

Em Sandomil, também em Seia, continuam 156 homens, apoiados por 43 viaturas.

Ainda em Seia, o incêndio que lavra há quatro dias em Carvalhal da Loiça está a ser combatido por 140 bombeiros, 40 veículos e dois helicópteros.

Outro dos incêndios que mobilizam mais meios nesta altura localiza-se em Mezio/Travanca, concelho de Arcos de Valdevez, distrito de Viana de Castelo. No local estão 147 bombeiros, 29 veículos, um helicóptero e três aviões.

Previstos 300 incêndios

O comandante operacional nacional da Protecção Civil prevê para esta sexta-feira mais um dia muito complicado no combate aos incêndios, que podem chegar aos 300, havendo registadas já 163 ocorrências desde as zero horas.

Desde as zero horas foram registadas 163 ocorrências de incêndios, um número «perfeitamente exagerado» segundo o comandante operacional nacional de protecção civil, Gil Martins, que prevê que se possa chegar, mais uma vez, aos 300 fogos por dia.

Num balanço feito aos jornalistas depois do briefing desta sexta-feira da Autoridade Nacional de Proteção Civil, que teve a presença do Presidente da República e do primeiro ministro, Gil Martins adiantou que cerca das 14 horas estavam 26 incêndios em curso, e que as situações mais problemáticas registam-se em Viana do Castelo e Guarda.

Gil Martins prevê mais uma «tarde complicada» para os meios de combate aos incêndios, podendo chegar-se novamente aos 300 fogos, e deixou um apelo aos portugueses para não terem comportamentos negligentes e de risco.

«Deixo aqui uma alerta para os portugueses: uma pequena chama pode provocar um incêndio florestal de grande envergadura e muito complexo. Temos de ter tolerância zero em relação ao uso do fogo na floresta», apelou.

Prioridade

Gil Martins adiantou também que os incêndios têm deflagrado sempre junto de populações e casas e que a salvaguarda das pessoas e bens são a primeira prioridade no combate.

O comandante sublinhou também que a grande maioria dos incêndios são por negligência, por comportamentos de risco que as pessoas podem evitar.

«97 por cento dos incêndios em Portugal têm origem humana, desses 50 por cento são fogos por negligência, que também é crime. Os fogos intencionais são cerca de 18 a 20 por cento», disse.

As situações mais complicadas de entre os fogos ativos estão em Viana do Castelo e Guarda, onde foram reforçados os meios no terreno.

«A situação está a evoluir favoravelmente, mas vai depender do número de ocorrências que continuarem a surgir na Serra da Estrela, onde as condições meteorológicas, devido ao vento, não são muito favoráveis», explicou o comandante.

Desde o início da «fase charlie», considerada a de maior risco de incêndios e que começou a 1 de Julho, foi necessário mobilizar 9985 pessoas, das quais 1842 para funções de vigilância e mais de 5800 para funções de combate aos fogos.

Desde o dia 24 de julho, foram registadas 7222 ocorrências, o que representa uma média de 380 por dia.

Quanto à área de florestal ardida desde Janeiro, situa-se nos 45 mil hectares.
Redação