Depois de três meses de preparação, José Mestre foi operado em Chicago, nos Estados Unidos, onde lhe foi retirado, com sucesso, o tumor de 44 centímetros e 5,5 quilogramas. Foram necessárias quatro intervenções para remover completamente o tumor.

« Finalmente teve uma hipótese de levar uma vida mais ou menos normal porque, antes disto, sentia que, apesar de nunca o ter pedido, era o centro das atenções em todo o lado», disse o tradutor de José Mestre à estação norte-americana ABC.

A história do «homem sem rosto» tornou-se conhecida em Julho de 2009, quando a Discovery convidou José Mestre para filmar um documentário em Londres sobre o seu problema. O programa foi apresentado em Dezembro e contou com a participação de dois médicos prestigiados dos hospitais St Bartholomew e Broomfield.

Um dos médicos consultados, Ian Hutchison, ofereceu-se para fazer uma cirurgia inovadora, e de graça, para devolver a José Mestre o rosto que desde criança se vinha a deformar.

Apesar do especialista prometer uma melhoria da qualidade de vida já que lhe possibilitaria respirar melhor, falar, comer e ver, José Mestre, como testemunha de Jeová, mostrou reservas em fazer a cirurgia.

No entanto, o facto de, nos últimos meses, o tumor lhe ter provocado cegueira de um dos olhos, além de ter coberto por completo a boca e a língua, levou a sua irmã a insistir na operação.

«Se não fosse feito nada, ele morria», explicou à ABC a irmã, Edite Abreu, garantindo que «agora, ele tem uma nova vida».

Maioria dos cirurgiões tem «pânico» de realizar operações assim

A maioria de cirurgiões tem «pânico» de realizar operações como a que José Mestro foi submetido, uma vez que «os pacientes correm elevado risco de vida», explicou o cirurgião Biscaia Braga, citado pela agência Lusa.

São sempre «muito complicadas» uma vez que o «doente pode morrer ao se esvair em sangue, dado que os vasos sanguíneos não têm os mecanismos normais de coagulação», declarou o especialista, que realizou várias intervenções deste género em Portugal.

Segundo Biscaia Fraga, trata-se de um hemangioma cavernoso, uma malformação congénita, constituída por vasos sanguíneos anormais, que causa uma deformação grave, sendo, no caso de José Mestre, uma deficiência especialmente dada a sua localização na face que é «o cartão de visita da pessoa».

«É uma situação grave porque vai crescendo, ao ponto de tornar a pessoa num verdadeiro monstro», acrescentou o especialista, que explicou que, antes da intervenção, são aplicadas técnicas inovadoras, como a embolização das veias lesadas, pelas quais são enviados produtos com o objectivo das artérias não terem tanto sangue.

A segunda etapa deste processo, a da reconstrução, é «muito difícil», dado «o terreno ser totalmente adverso».

Segundo um dos médicos envolvidos na intervenção, Ramsen Azizi, «este foi provavelmente o maior tumor jamais retirado e, por isso, foi muito difícil fazê-lo sem deformar o rosto».

José Mestre saiu do hospital na segunda-feira à tarde e volta a Portugal dentro de poucas semanas, refere a ABC. A família vai continuar a ser apoiada médica e financeiramente pelo hospital.
Redação / ASM