O tabaco deve ser completamente abandonado e há que ter cuidado com o ar que se respira, no interior e no exterior dos edifícios, defendeu esta segunda-feira Teles de Araújo, presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão.



Numa antecipação das conclusões do I Fórum Ambiente e Saúde Respiratória, organizado pela Fundação do Pulmão, Teles de Araújo disse à agência Lusa que as alterações climáticas são outra preocupação, porque muitas vezes potenciam os factores de poluição.

«Este fórum poderá chamar mais uma vez a atenção para que as alterações climáticas são uma realidade e que é preciso ter cuidado com elas», acrescentou.

>Metas por atingir

Teles de Araújo reconheceu que as metas de baixar o número de fumadores para metade em 2010 eram «muito ambiciosas» e estão «longe de ser atingidas», observando que as experiências anteriores e de outros países mostram que é muito difícil «uma diminuição tão marcada».

Paulo Nogueira, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), salientou que as ondas de calor levam sempre à ocorrência de um número de mortes significativamente superior ao que seria de esperar sem o calor. E indicou que os mais afectados são os idosos, pessoas acamadas ou a tomar certos medicamentos e pessoas com condições socio-económicas e ambientais mais baixas e, embora não havendo evidências nesse sentido, as crianças são normalmente consideradas também um grupo de risco.

Calor mata

O técnico do INSA, ligado ao projecto Ícaro, adiantou que estimativas preliminares indicam que na semana passada se verificou um aumento de mortalidade devido às temperaturas verificadas.

O meteorologista Anthímio de Azevedo recordou que no seu relatório de 1997 a Organização Mundial do Clima advertia já que a poluição tem efeitos adversos no corpo humano e sublinhou que são as condições meteorológicas que determinam a dispersão e a deposição de poluentes, muitas vezes a grandes distâncias.

Este professor universitário recordou que Peter Gleick (presidente do Pacific Institute for Studies and Developement) previu em 2001 que em 2025 haveria problemas de escassez de água no Norte da China, uma desertificação progressiva de África e um alargamento da faixa desértica das Rochosas, na América do Norte.

Anthímio de Azevedo disse que para a Europa a previsão de escassez de água em 2025 abarca apenas a Península Ibérica, devido a um bloqueio do anticiclone dos Açores, o que o leva a questionar «para quê» fazer mais barragens em Portugal, se em 2025 haverá falta de água na Península Ibérica.
Redação / CMM