A seca está a esgotar as reservas de palha no Norte, a captura de lampreia está condicionada no rio Minho e, se as temperaturas aumentarem, podem não ser efetuadas as sementeiras primaveris na região, segundo o Ministério da Agricultura.

Os dados do segundo relatório do grupo de trabalho de acompanhamento e avaliação dos impactos da seca em 2012, hoje divulgado pela tutela, reportam-se a informação meteorológica e hidrológica de 29 de fevereiro e a avaliações feitas na segunda quinzena desse mês.

No diagnóstico da zona Norte, o documento indica a falta de água no solo, o excesso de frio e as fortes geadas para explicar os condicionamentos do desenvolvimento dos prados e pastagens, ferrãs e dos cereais de outono/inverno.

«Em algumas zonas, as batatas temporãs ainda não foram plantadas e na atividade pecuária está a verificar-se o esgotamento das reservas de alimentos grosseiros (fenos, palhas e silagens) para os animais», lê-se.

Segundo o relatório, o volume nas reservas hídricas, inferior aos do ano passado, começa a «levantar grandes preocupações quanto às disponibilidades de água para a rega».

Se as temperaturas «começarem a subir, podem surgir situações em que os agricultores não vão arriscar efetuar as sementeiras de primavera».

A estimativa do aumento do consumo de alimentos grosseiros situa-se entre os 30% e os 50% em comparação com um ano normal e poderá haver uma subida entre 20% a 30% na compra de rações industriais.

Os preços dos fardos de palha e feno aumentaram cerca de 30%, indica o grupo de trabalho na caraterização da situação na região Norte.

Caso a chuva continue a faltar nas «próximas semanas, as searas (de outono/inverno) estarão irremediavelmente perdidas».

O relatório indica que os citrinos estão afetados na quantidade e na qualidade, a floração das amendoeiras está atrasada e as quebras de produção nomeadamente na batata primor, no feijão e nas couves pode oscilar entre 20% a 40%.

O grupo de trabalho nota ainda que a diminuição do caudal no rio Minho está a condicionar a captura de lampreia.

Os dados do final de fevereiro que serviram de base ao relatório do Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território indicam que àquela data 68% do território continental estava em seca severa e 32% em seca extrema.

Entretanto, o Instituto de Meteorologia divulgou hoje o boletim quinzenal, referente ao ponto de situação a 15 de março, dando conta de que a seca extrema já atinge 53% do território continental, enquanto os restantes 47% estão em situação de seca severa.

O índice utilizado para medir a dimensão da seca tem nove níveis, que variam entre chuva extrema e seca extrema. Antes da seca extrema há a severa, a moderada e a fraca.
Redação / CLC