A doença venosa crónica (DVC) afecta, de alguma forma, a qualidade de vida de mais de metade dos portugueses com mais de 50 anos, conclui um estudo revelado esta quarta-feira no Porto.

O estudo «O que sabe sobre as suas veias?», realizado num período limitado de 2009, visou analisar o impacto da DVC na qualidade de vida das pessoas, tendo abrangido 5617 pessoas de Portugal continental e ilhas, assistidas nos cuidados de saúde primários.

Este é o primeiro estudo «desta índole» realizado em Portugal, sendo promovido pela Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular (SPACV).

Em declarações à agência Lusa, Armando Mansilha, secretário-geral da Sociedade e coordenador deste estudo, afirmou que este trabalho partiu do pressuposto de que, em Portugal, mais de dois milhões de mulheres sofrem de alguma forma com a DVC.

«É uma doença bastante prevalente e atinge claramente acima de 30 por cento da população, sobretudo mulheres», disse, acrescentando que o seu impacto na qualidade de vida das pessoas «é tão mais verdade quando aplicado ao sexo feminino em idades mais avançadas».

A DVC, que resulta de uma alteração estrutural do sistema venoso dos membros inferiores, é visível nas varizes, derrames e úlceras de perna.

«Conclui-se que mais de 50 por cento das pessoas com mais de 50 anos têm, de alguma forma, repercussão na sua vida devido a sintomas da doença», afirmou o médico.

O estudo foi realizado através de um questionário de autoavaliação específico para esta doença, validado internacionalmente.

«Pretendeu-se avaliar o impacto na dor e repercussões sociais, físicas e psicológicas da DVC», frisou o médico, considerando que, sem dúvida, que esta é uma patologia que acarreta desconforto para as pessoas.

Objectivo: sensibilizar os doentes

Mansilha salientou como conclusões deste estudo a necessidade de se «sensibilizar os doentes para a presença de sintomas», considerando que devem ser valorizados «dor, cansaço nas pernas, sensação de peso e edema».

Armando Mansilha apontou a possibilidade de ocorrência de trombose na veia (tromboflebite) e de úlcera varicosa como consequências «mais graves» desta doença.

O estudo permitiu ainda concluir que os distritos de Viana do Castelo, Évora e Castelo Branco são aqueles «cuja proporção de inquiridos apresenta uma pontuação mais elevada associada a menor qualidade de vida».

O médico recomendou o «tratamento da doença, desde o seu início», porque «quanto mais precoce este for maior beneficio terá o doente».
Redação / CMM