A ex-eurodeputada Ana Gomes partilhou na rede social Twitter uma mensagem de Rui Pinto, na qual este admitiu que mesmo com a "primitiva perseguição de que os denunciantes são alvo" voltaria a fazer tudo o que tem feito.

Ana Gomes revelou que esta quinta-feira deveria estar em Florença, Itália, para participar na conferência "High-Level Policy Dialogue on Corruption in Sports Governance”, mas que o evento tinha sido adiado devido ao surto do novo coronavírus. Disse ainda que tinha pedido ao hacker português para escrever uma mensagem que ela própria iria ler em voz alta no encontro.

Uma vez que foi desmarcado, Ana Gomes não teve oportunidade de ler a mensagem, mas partilhou-a na mesma no Twitter: "Aqui fica a mensagem"

Rui Pinto começa por fazer referência ao caso Luanda Leaks como "o exemplo mais recente de que os denunciantes e o jornalismo de investigação são essenciais para a nossa democracia". Deixou críticas à Polícia Judicária, uma vez que esta sabia que "durante anos" Portugal serviu de "plataforma" de "lavagem de dinheiro angolano" e nada fez.  

Por fim, mostrou estar de consciência tranquila com a documentação que tem vindo a revelar, dizendo que fez o seu dever enquanto cidadão.

Como cidadão fiz simplesmente o meu dever ao ajudar a expôr estes e outros crimes", lê-se na mensagem. 

Admitiu ainda que apesar da "primitiva perseguição de que os denunciantes são alvo" voltaria a fazer tudo o que tem feito. 

Esta mensagem surgiu um dia após as SAD (Sociedade Anónima Desportiva) de vários clubes como o Benfica, FC Porto, Sporting e Sp. Braga terem sido alvo de buscas, por suspeitas de branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada.

Houve revelações feitas pelo hacker Rui Pinto, detido preventivamente desde 22 de março do ano passo, que estiveram na origem destas buscas. 

Uma centena de personalidades, entre elas jornalistas, figuras públicas, comentadores, humoristas, assinaram um documento a pedir o fim da prisão preventiva do responsável pelo Football Leaks, por a considerarem "chocante" e uma "punição antecipada".

Cláudia Évora