O INSA revelou esta sexta-feira que, mantendo-se o crescimento de novos casos de covid-19, o tempo para atingir a taxa de incidência acumulada a 14 dias de 120 casos por 100 mil habitantes será de 31 a 60 dias para o nível nacional e de 15 a 30 dias para as regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.

Este prazo de duas semanas a um mês é mais reduzido do que o previsto no relatório divulgado a semana passada, que estimava que Lisboa e Vale do Tejo chegaria aos 120 casos entre 31 e 60 dias.

No que se refere ao impacto na pandemia nos serviços de saúde, as duas entidades indicam que o número diário de doentes internados em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) no continente revelou uma “tendência ligeiramente decrescente”, correspondendo a 22% do valor crítico definido de 245 camas ocupadas.

Na quarta-feira, estavam internados em UCI um total de 53 doentes com covid-19, refere o relatório, que considera que em Portugal “observa-se transmissão comunitária de moderada intensidade e reduzida pressão nos serviços de saúde”.

O alerta surge no relatório das linhas vermelhas divulgado semanalmente pela Direção-Geral da Saúde e pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge que dá conta também de uma "tendência ligeiramente crescente" a nível nacional. O número de novos casos de infeção por SARS-CoV-2 por 100 mil habitantes foi de 60 casos, nos últimos 14 dias.

Também o número de casos associados à variante da Índia mais do que quadriplicou. Na semana passada, as infeções através da variante B.1.617 eram 10, esta sexta-feira são 46.

A sequenciação genómica revelou ainda várias introduções distintas desta variante em Portugal. "A ausência de ligação epidemiológica em alguns dos casos mais recentes pode indicar a existência de transmissão comunitária da mesma", alerta o INSA.

O relatório dá ainda conta de uma prevalência estimada da variante associada ao Reino Unido para o continente de 87,2%.

Até 26 de maio, foram identificados, por confirmação laboratorial, 97 casos da variante sul-africana, que está a ser transmitida na comunidade. No mesmo sentido, as autoridades de saúde detetaram 133 casos da variante de Manaus.

Observa-se também "transmissão comunitária de moderada intensidade" e "reduzida pressão nos serviços de saúde".

O aumento dos valores do índice de transmissibilidade, que esta sexta-feira se posiciona nos 1,07 a nível nacional, tal como o aumento da frequência de novas variantes de preocupação "devem ser acompanhados com atenção durante as próximas semanas, em especial nas regiões com maior transmissão. 

Em Portugal, morreram 17.023 pessoas dos 847.604 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.