O Procurador-Geral da República (PGR), Pinto Monteiro, avançou esta quarta-feira que o processo da «Operação Furacão» «vai ser emagrecido» com a redução do número de investigados, escusando concretizar prazos para a conclusão das acusações, informa a Lusa.

Pinto Monteiro, que falava em Mirandela, à margem de uma reunião com magistrados [do Ministério Público] transmontanos, rejeitou que alguma vez tenha avançado datas para a conclusão do processo, nomeadamente o fim de 2008.

«O que disse e mantenho é que até ao fim de 2008 o processo tinha que ser emagrecido, tinha que ser dividido por vários motivos, inclusivamente por causa do segredo de justiça», afirmou.

«O que eu esperava e espero é que se reduza o número de investigados a breve prazo e depois o processo continuará e espero que as acusações surjam. Não vou dizer datas», declarou.

O PGR reconheceu, no entanto, existirem «atrasos» nas acusações, que atribuiu à complexidade do processo, «com milhões e milhões de documentos, 500 arguidos e outras tantas sociedades e bancos».

«O processo tem de ser reduzido às suas proporções. Foi dividido em vários processos, vão haver alguns arquivamentos», afirmou.

Segundo disse, «vão ser arquivados aqueles em que não houver ilícitos criminais e prosseguir as investigações de quem tenha ilícitos criminais».

«O Ministério Público não é feito para cobrar dívidas, é feito para perseguir ilícitos criminais», afirmou.

A investigação da «Operação Furacão», uma das maiores realizadas em Portugal e conhecida em 2005, já levou à constituição de 500 arguidos, entre pessoas singulares e colectivas, entre as quais o BPN, por suspeita de branqueamento de capitais, fraude fiscal e abuso de confiança.
Redação / CLC