A PSP impediu esta quinta-feira à tarde os jornalistas de permanecerem frente às instalações judiciais em Lisboa onde decorre a inquirição de uma testemunha relacionada com o «caso Freeport», alegando cumprir ordens da directora do DCIAP.

«A PSP recebeu ordens da direcção do DCIAP [Departamento Central de Investigação e Acção Penal] para afastar os jornalistas» da zona frontal ao edifício, disse o subcomissário da Polícia Pedro Oliveira, presente no local.

As autoridades vedaram o passeio frente ao edifício de modo a obrigar os repórteres a permanecerem afastados, nas zonas que ladeiam o prédio localizado na Rua Alexandre Herculano.

Um dos jornalistas no local disse ter contactado o director nacional da PSP, que lhe terá justificado a atitude com um pedido feito nesse sentido pela advogado de Charles Smith, o empresário que está a ser inquirido por dois procuradores no âmbito do «caso Freeport».

PSP dá explicações

A PSP justificou esta quinta-feira com a necessidade de preservar o anonimato de funcionários e cidadãos o impedimento dos jornalistas permanecerem em frente a instalações judiciais em Lisboa.

Numa nota escrita enviada à agência Lusa, a Direcção Nacional daquela polícia fundamenta a atitude com a necessidade da «preservação da identidade das pessoas que entravam e saíam das instalações em referência e que, por não serem figuras públicas, não pretendiam a exposição da sua imagem».

O edifício em causa é o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), na Rua Alexandre Herculano, onde decorre a inquirição do empresário Charles Smith, num processo relacionado com o licenciamento do complexo comercial Freeport, em Alcochete.

O texto, assinado pelo oficial Paulo Flor, refere que a PSP recebeu várias reclamações nesse sentido, pelo que «não teve outra alternativa do que definir uma distância de segurança, que permita às pessoas frequentadoras daquele edifício o livre acesso ao mesmo e que continue a possibilitar aos jornalistas o exercício da sua profissão».

Outra das razões invocadas, para uma atitude aparentemente inédita das autoridades, é o facto de trabalharem no edifício «pessoas que zelam por normas e princípios de Estado e que por causa disso necessitam de se manter no anonimato».

Posteriormente, o DCIAP divulgou uma nota onde assume que a sua directora, a procuradora-geral-adjunta Cândida Almeida, «pediu a colaboração da PSP no sentido de garantir o normal funcionamento do serviço», «face à aglomeração de jornalistas junto às portas» daquele organismo do Ministério Público. «A entrada e saída de pessoas sem serem filmadas ou fotografadas» é outra justificação apresentada.
Redação / CLC