O primeiro-ministro congratulou-se esta quarta-feira, no Parlamento, com o esclarecimento da Igreja Católica de que não interferirá nas próximas eleições, penalizando alegadamente o PS, por causa da questão dos casamentos homossexuais, informa a Lusa.

Em nota emitida, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) da Igreja Católica diz que «sempre» evitou «confrontações» com órgãos de soberania ou partidos. «A Igreja Católica quer ser sempre factor de coesão e unidade», esclarece uma nota assinada pelo porta-voz da CEP, padre Manuel Morujão, publicada depois de vários jornais noticiarem que aquele elemento da estrutura eclesiástica admitira terça-feira um apelo da Igreja ao voto contra o PS nas três eleições que se realizam este ano.

Igreja nega apelo a boicote ao PS

Em declarações aos jornalistas, no final do debate quinzenal, na Assembleia da República, José Sócrates referiu que a CEP «não tem nenhuma intenção de dar indicação de voto».

«Fico muito satisfeito com isso. O que eu propus ao congresso do PS é terminar com uma discriminação em nome dos valores de sempre do nosso partido. Tratam-se dos valores da liberdade, da democracia e da igualdade, do respeito pelo texto constitucional e dos valores da tolerância», advogou.

De acordo com o líder do PS, mesmo que se considere a questão do casamento homossexual um problema de minoria, «todos seremos mais felizes e seremos uma sociedade melhor». «Tendo outros países já dado este passo, não vejo nenhuma razão que Portugal não o dê. Devemos dar esse passo em nome do combate à discriminação», acrescentou.

O que diz a oposição

O CDS-PP considerou que a Igreja Católica tem «o direito legítimo» de expressar a sua opinião em relação ao casamento homossexual, mas na esquerda parlamentar a «confusão» entre o mundo religioso e a política mereceu críticas.

«É uma confusão nada recomendável. O mundo religioso não deve interferir na política. Cada um deve decidir de acordo com a sua consciência», defendeu o deputado do BE João Semedo, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

Contrariando de alguma forma a posição do BE, o líder parlamentar do CDS-PP, Diogo Feio, defendeu a atitude da Igreja Católica, reconhecendo o «direito legítimo» das instituições de exprimirem as suas opiniões.

«A Igreja tem todo o direito de exprimir as suas opiniões nas matérias que entende», salientou, lembrando não constituir nenhuma novidade a posição da Igreja Católica em relação aos casamentos homossexuais.
Redação / CLC