A ministra da Saúde admitiu esta quarta-feira que é impossível o Serviço Nacional de Saúde competir com os privados, que pagam quatro vezes mais aos médicos, mas assegurou que estão a ser tomadas medidas para reter os clínicos no sector público, informa a Lusa.

Ana Jorge respondia ao director da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) que, durante a cerimónia de entrega da certificação de «Hospital Amigo dos Bebés» à maternidade, alertou para o aliciamento de médicos daquela unidade de saúde pelo sector privado, nomeadamente dos cuidados intensivos de neonatologia.

«Ainda não saiu ninguém, mas que estão a ser atraídos estão», afirmou Jorge Branco à margem da cerimónia, defendendo a necessidade «urgente» de uma «nova atracção» para os médicos e enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde».

Para o director da MAC, é fundamental que «acabe de ser concretizada a regulamentação das carreira médicas e de enfermagem, o desenho do esquema remuneratório» e que sejam prestadas «condições de trabalho e respeitadas as pessoas que trabalham no SNS, muitas vezes por muito pouco dinheiro».

Ana Jorge sublinhou que o Governo está a tomar medidas para evitar a saída dos médicos para o sector privado, mas admitiu que é difícil «quando um privado paga à cabeça quatro vezes mais do que o sector público pode pagar».

«Nunca haverá possibilidade, em nenhum país do mundo, de podermos concorrer como sector público em termos dos vencimentos do sector privado», sustentou a ministra.

Segundo a ministra, está prevista a constituição de uma equipa de projecto que irá trabalhar com as Administrações Regionais de Saúde para criar modelos de organização do trabalho interno do hospital que possam ir ao encontro das necessidades dos profissionais para os motivar.

Para Ana Jorge, é preciso ouvir os médicos para saber o que é importante para que se mantenham no sector público: «Alguns requisitos poderão ser cumpridos, outros negociados e outros poderão não ser atingidos».
Redação / CLC