A Associação Académica de Coimbra (AAC) apoia a iniciativa da Universidade de Coimbra de eliminar a carne de vaca das cantinas universitárias a partir de janeiro de 2020, disse esta quarta-feira à agência Lusa o presidente da direção.

Daniel Azenha considera que se trata de uma "medida altamente arrojada, que a AAC apoia".

As alterações climáticas são para nós uma preocupação. Esta medida não vai resolver o problema, mas é importante na consciencialização do meio académico", frisou o líder estudantil.

O reitor da Universidade de Coimbra (UC) anunciou na terça-feira que vai eliminar o consumo de carne de vaca nas cantinas universitárias a partir de janeiro de 2020, por razões ambientais.

Segundo o reitor da universidade, Amílcar Falcão, a eliminação do consumo de carne nas cantinas universitárias a partir de janeiro de 2020 será o primeiro passo para, até 2030, tornar a UC "a primeira universidade portuguesa neutra em carbono".

Vivemos um tempo de emergência climática e temos de colocar travão nesta catástrofe ambiental anunciada", sublinhou, na sua intervenção na cerimónia de acolhimento, perante centenas de alunos.

A carne de vaca será substituída "por outros nutrientes que irão ser estudados, mas que será também uma forma de diminuir aquela que é a fonte de maior produção de CO2 que existe ao nível da produção de carne animal".

Por ano, cerca de 20 toneladas de carne de vaca são consumidas nas 14 cantinas universitárias da UC.

O presidente da AAC considera que a sociedade não pode "continuar a assobiar para o lado" e que a medida tomada pela UC é o "primeiro passo de muitas iniciativas" para reduzir a pegada ecológica dentro da instituição.

Daniel Azenha desvaloriza as criticas de algumas organizações agrícolas e associações de produtores, considerando que a medida não os vai afetar na produção.

"Criticas vão existir sempre, mas já chega. Chegámos a um limite em que é preciso atuar", salientou o dirigente estudantil.

Várias organizações, como a Confederação Agrícola de Portugal, a Associação dos Produtores de Leite de Portugal, Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri) e a Associação Portuguesa dos Industriais de Curtumes (APIC) criticaram a decisão da UC de eliminar a carne de vaca dos menus das cantinas universitárias.

Decisão da UC de retirar carne de vaca das cantinas é "autoritária e populista"

A Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri) classificou hoje de "autoritária e populista" a decisão da Universidade de Coimbra (UC) de retirar carne de vaca das cantinas a partir de 2020.

Segundo um comunicado hoje divulgado, a Confagri "manifesta a sua total oposição à decisão claramente autoritária e populista do reitor da Universidade de Coimbra em eliminar o consumo de carne de vaca das cantinas universitárias a partir de janeiro de 2020".

Sublinhando que a Confagri "repudia o radicalismo do Reitor da Universidade de Coimbra", Amílcar Falcão, a confederação crê ainda que a decisão é "de duvidosa legalidade, castra a liberdade de escolha das pessoas, mas também contraria a Dieta Mediterrânica, sem ter uma adequada sustentação científica".

A Confagri defendeu também que o possível "benefício invocado de 'emergência climática' não pode justificar o prejuízo que esta ação irá acarretar a todo um setor".

"A agricultura não pode ser encarada apenas como parte do problema, mas também como evidente solução, porque a floresta, a pecuária, o olival, entre outras atividades, contribuem significativamente para a captura de carbono, logo, o processo de descarbonização também se faz com o recurso à agricultura e com os agricultores", pode ler-se no comunicado da confederação.

Citado no documento, o presidente da Confagri, Manuel dos Santos Gomes, afirma que as mudanças de comportamentos decorrentes das alterações climáticas "têm de ser feitas com responsabilidade e consciência social, não de forma demagógica e radical".

"A descarbonização, sendo meta a perseguir até 2050, deve assentar no que se refere à produção bovina, em bases científicas e não em tiradas populistas sem qualquer suporte científico", acrescentou o responsável.