Dezenas de estudantes de Coimbra manifestaram-se esta quarta-feira, nas Cantinas Rosa São Jerónimo, contra a ausência do prato social e exigiram que se “reponha a normalidade”.

“Nos últimos dez anos temos vindo a assistir a um decréscimo das unidades alimentares que têm prato social nas cantinas”, disse o presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), João Assunção.

Depois da pandemia provocada pela covid-19, a AAC considera que é necessário “um sistema de ação social coeso e abrangente”, de modo a englobar todos os estudantes, nomeadamente os “estudantes com mais dificuldades” económicas.

Há dez anos existiam no polo 1 da Universidade de Coimbra seis cantinas com prato social e, atualmente, apenas duas cantinas têm esta opção.

“Há um decréscimo substancial ao longo dos últimos dez anos e na cantina que estamos, a [cantina] rosa, como é conhecida aqui em Coimbra, havia prato social antes da pandemia. Durante a pandemia foi retirado o prato social e, hoje, na retoma da academia, vemos que o prato social não voltou”, criticou o dirigente estudantil.

“Antes da pandemia os serviços de ação social no polo 1 serviam por mês cerca de 11 mil refeições sociais. Hoje, esse número anda por volta dos cinco mil”, constatou.

Num momento “simbólico”, mas também de “reivindicação”, a ação de protesto realizou-se no dia de aniversário da AAC.

“Como gesto simbólico a Associação Académica vai oferecer o almoço”, anunciou o presidente da AAC aos estudantes.

“Este é um momento que queremos assinalar e queremos exigir que o prato social volte aqui, como que volte a outras cantinas que foram encerradas ao longos dos últimos anos aqui no polo 1”, exigiu.

João Assunção alertou para as consequências da ausência de prato social, nomeadamente a centralização de estudantes nas cantinas que estão abertas, levando ao aumento das filas de espera, filas essas que, devido a sua extensão, levam a que os “estudantes não tenham tempo suficiente para ir à cantina social”.

Esta situação origina que os estudantes tenham de “optar por outras opções, menos saudáveis, muito mais caras no mercado de restauração, o que naturalmente prejudica um estudante que quer por um lado ir às aulas e poupar também o seu dinheiro”, explicou.

Num período de recuperação económica da pandemia, “voltar à normalidade é muito mais difícil para os que têm dificuldades económicas”, concluiu.

/ BCE