Um estudo sobre a construção de ciclovias em Lisboa e no Porto concluiu que a rede teve diferentes impactos no território, tendo provocado, em alguns casos ou períodos, um aumento dos congestionamentos.

A primeira fase do estudo revela que a implantação de ciclovias em espaços urbanos teve diferentes impactos, decorrentes das características do espaço onde são implementadas e das opções de planeamento e execução adotadas. E que a rede de ciclovias é essencial, mas não esgota as medidas necessárias para tornar a bicicleta uma solução de mobilidade acessível”, aponta o estudo desenvolvido pela Universidade Nova IMS e pelo Automóvel Clube de Portugal, hoje revelado.

Intitulado ‘Estudo Mobilidade Inteligente: Uma nova abordagem no planeamento e gestão da mobilidade urbana – o caso das ciclovias’, o documento, de maio de 2021, avalia impacto da construção de ciclovias na mobilidade nas cidades de Lisboa e Porto, no ano de 2020, em particular no número de congestionamentos.

A avaliação teve por base as informações no número de congestionamentos identificados pela plataforma Waze, em hora de ponta e foi feita para a via onde foi instalada a ciclovia e para as vias envolventes até uma distância de 100 metros.

Em Lisboa, foram analisadas nove ciclovias: Av. Almirante Reis, Rua Marquês Fronteira, Av. do Pacífico, Rua Cidade Bissau, Rua Castilho, Av. Manuel Maia, Praça de Londres, Av. Dos Combatentes e Av. de Pádua.

De acordo com a primeira fase do estudo, “nos casos em que a construção da ciclovia ocorreu sobre o passeio, o impacto é inferior no número de congestionamentos, mas com custos para os peões”. Por outro lado, “as ciclovias colocadas na faixa de rodagem criam mais transtorno à circulação rodoviária”.

Os dados mostram, por exemplo, que os congestionamentos no período da manhã aumentaram entre julho e outubro e em novembro e janeiro na Avenida Almirante Reis e na Rua Marquês Fronteira. Por outro lado, a Avenida do Pacífico e a Rua Cidade Bissau apresentaram uma redução dos congestionamentos.

As restantes vias rodoviárias apresentaram comportamentos contraditórios para diferentes períodos, estando em linha com Lisboa ou apresentando melhorias em um dos períodos.

No que diz respeito à cidade do Porto, a análise foi feita nos cinco troços da rede de ciclovias da cidade: vermelho (zona da Foz e Ribeira), verde (zona do Parque da Cidade), rosa (na Av. da Boavista e na Av. da Constituição), azul (na zona da Prelada, faz ligação dos polos universitários) e laranja (zona da Granja).

O Troço Azul foi aquele que obteve os melhores resultados e onde ocorreu uma redução generalizada de congestionamentos face a 2019.

Nos troços restantes houve um aumento de congestionamentos face a 2019 nos meses de julho a setembro. Por outro lado, de outubro a janeiro houve uma redução de congestionamentos e uma aproximação entre ambos os períodos.

Considerando que houve troços construídos em ambos os períodos, isso leva a crer que ou as construções impactaram de forma diferente troços diferentes, ou que as mesmas não impactaram de forma significativa o número de congestionamentos nas respetivas sub-redes viárias”, conclui o estudo.

De forma a reavaliar o impacto da construção de novas ciclovias e alargar a análise a outras dimensões da mobilidade em Lisboa e no Porto, o Automóvel Club de Portugal considera necessário prolongar o estudo no próximo ano, para que seja possível repetir a análise em condições de normalidade na mobilidade no período pós-pandemia.

O documento deixa, contudo, algumas sugestões preliminares nomeadamente a necessidade de um ajustar a oferta de transporte público em tempo real; a utilização de autocarros como complemento ao transporte ferroviário; a criação de aplicações para smartphones que permitam a reserva de lugares e a promoção do desfasamento de horários para distribuir a hora de ponta por um maior período. 

De acordo com os dados nacionais, Lisboa tem atualmente 181,5 quilómetros de pistas cicláveis e o Porto 54 quilómetros de corredores exclusivos para bicicletas.

/ MJC