O Hospital de Faro pretende deixar de ter doentes em macas nos corredores em 2010, mas para já há pacientes nessa situação três e quatro dias seguidos, embora o prazo máximo definido no Serviço de Observação seja de 72 horas. Mas «não há caos», garante a directora clínica.

«Os médicos não dão conta disto, porque é muita gente acumulada nos corredores. São muitas dezenas», desabafou em declarações à Lusa Corália Tadeu, que tem o marido no Serviço de Observação (SO), numa maca no corredor, desde domingo à noite.

«Está ali [nos corredores do novo espaço das Urgências] perto de uma centena de pessoas em macas. As pessoas são bem atendidas, o problema é estarem acumuladas nos corredores», reforça, por seu turno, Ideme Conceição, que veio visitar o cunhado ao hospital, que espera numa maca por um internamento desde domingo transacto.

A directora da Urgência de Faro, Dagoberta Lima, explica que é «normal os doentes estarem em macas três ou quatro dias no Serviço de Observação». Contudo, recorda que é suposto estarem no máximo entre «36 a 72 horas de permanência» no SO.

A directora clínica do Hospital de Faro, Helena Gomes, confirmou, por seu turno, que as urgências vivem momentos de afluência de «muitos idosos» e «muitos doentes que precisam de ficar no hospital».

Além disso, «houve dois fins-de-semana prolongados em que a actividade do Serviço ficou condicionada, porque as saídas para o internamento ficaram dificultadas com os atrasos nas altas médicas», explicou.

No entanto, a médica e directora clínica frisou que não lhe foi reportado pelas equipas do balcão nenhuma situação de «anormalidade» ou de «stress acrescido» nos dias de «picos» de afluência de utentes.

Helena Gomes recusa a palavra «caos» para definir o Serviço de Observação e Urgências - que abriu este mês - daquela unidade hospitalar e classifica de «normal» o afluxo de doentes nesta altura do ano, com médias de 200 utentes por dia.

Na sexta-feira transacta, dia 05, o Hospital de Faro recebeu 254 utentes, um dia antes tinha recebido 248 utentes e no dia 09, terça-feira, registaram-se 246 utentes.

Em declarações à Lusa, um dos médicos do Hospital de Faro disse, terça-feira, que as urgências estão «em período de ruptura» e que chegam a estar 70 macas nos corredores do novo espaço de Urgências.

Helena Gomes, por seu turno, frisa que os serviços de urgências têm de estar preparados para «responder a afluxos maiores», mas também admitiu, que alguns médicos tenham feito 72 horas de banco de urgências em apenas uma semana, quando a lei prevê um máximo de 12 horas.

A solução para enfrentar os momentos mais críticos em afluência nas urgências passa agora por recrutar médicos das outras especialidades do próprio Hospital de Faro.

O plano de requalificação do Hospital Central de Faro vai até 2010, mas até meados de 2009 a direcção do hospital prevê ter resolvido a parte da área dos recursos humanos.
Redação / - LM