O serviço de urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta voltou a encerrar durante a última noite. Esta terça-feira de manhã, o presidente do Conselho de Administração do Hospital, Luís Amaro, explicou aos jornalistas a razão das interrupções do serviço e assegurou que o problema vai ter solução em breve.

“Temos alguma dificuldade em constituir as escalas de urgência. O conselho de Administração tomou posse em abril e teve conhecimento do problema. Este problema começou em 2017, com a saída, ao longo destes anos de 13 pediatras”, explicou.

Para já, a questão vai ser resolvida com recurso a meios do próprio hospital durante a semana. “Estamos em negociações com a Santa Casa da Misericórdia e com a União das misericórdias para resolver o problema dos fins-de-semana”, acrescenta.

O responsável avança que o Ministério da Saúde atribuiu vagas de concurso e abertura de contratos de trabalho para contratar novos pediatras, mas o problema não é local: “Não há pediatras a nível nacional. Não é um problema exclusivo do Garcia de Orta é um problema estrutural a nível nacional.”

Câmara de Almada preocupada com urgências pediátricas no Garcia de Orta

 

A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, disse esta terça-feira ver com preocupação os encerramentos frequentes das urgências pediátricas do Hospital Garcia de Orta, sublinhando que vai pedir uma reunião à tutela, quando o novo Governo for constituído.

É evidente que nós vemos esta situação com preocupação. Até porque não é uma situação que se resolva apenas com o facto de se poder abrir mais candidaturas ou por falta de verba. É um problema mais estrutural. A realidade é que saíram 13 médicos pediatras do público para o privado, abriram-se sete vagas para o hospital e não foi possível contratar ninguém”, disse a autarca.

Em declarações à Lusa, a autarca referiu ser necessário perceber por que é que os concursos de recrutamento de médicos para o Garcia de Orta têm ficado vazios, sem candidatos, e sublinhou ter sido informada que estão a ser estudadas soluções, uma das quais pode passar por um sistema de rotatividade metropolitana.

Temos estado em colaboração com a administração do Hospital Garcia de Orta e estamos nesta fase ainda de nomeação do Governo, mas, assim que houver uma estabilização do Governo, iremos provavelmente pedir uma audiência ao Ministério da Saúde para perceber exatamente o que é que se está a fazer”, afirmou.

A médio/curto prazo é evidente que é preciso arranjar uma solução. Tanto quanto me é dado saber, estão a ser estudadas possibilidades de uma resposta ao nível metropolitano, ou com rotatividade de serviços de urgência ou outras possibilidades”, acrescentou.