Os centros de saúde de Alvalade, Benfica, Lumiar e Sete Rios vão reduzir o horário de atendimento das situações agudas para cortar nas horas extraordinárias, disse à Lusa a coordenadora deste agrupamento.

Esta alteração, justificada pela necessidade de cumprimento do despacho da tutela que obriga à diminuição das horas extraordinárias, entra em vigor no próximo sábado.

De acordo com Manuela Peleteiro, nos centros de Saúde do Lumiar e de Sete Rios o horário do serviço de atendimento de situação aguda (antigas urgências) encurta duas horas nos dias úteis, passando a encerrar às 20:00 em vez de às 22:00.

Ao fim-de-semana passam a funcionar das 10:00 às 18:00 ao sábado (mantém-se igual no Lumiar e reduz duas horas no de Sete Rios) e das 10:00 às 14:00 aos domingos feriados (o do Lumiar fecha actualmente às 18:00 e o de Sete Rios às 20:00).

Em Alvalade e em Benfica as alterações não serão tão sentidas pelos utentes, uma vez que estes centros de saúde já funcionavam durante a semana no período das 10:00 às 20:00.

Nos fins-de-semana, o centro de saúde de Alvalade não faz o atendimento urgente aos domingos e nos sábados passa a fazer apenas até às 14:00. O de Benfica passa a cumprir um horário de atendimento das 10:00 às 18:00 no sábado (menos duas horas) e das 10:00 às 14:00 nos domingos e feriados.

Outra alteração respeitante ao centro de saúde do Lumiar foi o encerramento da unidade de saúde (as anteriormente designadas extensões) da Charneca, por cessão dos contractos com prestadores de serviços - médicos, enfermeiros e administrativos.

Esta decisão teve efeitos no dia 1 de Outubro, data a partir da qual os prestadores de serviços deixaram de trabalhar na unidade de saúde da Charneca e esta fechou portas, tendo os utentes que se deslocar agora para o centro de saúde do Lumiar.

O Ministério da Saúde quer que os utentes recorram mais aos cuidados de saúde primários (centros de saúde) do que às urgências hospitalares, mas são as suas decisões que estão a reduzir a capacidade de resposta destes serviços.

Questionada sobre se estas medidas irão levar mais pessoas às urgências hospitalares, a coordenadora do Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) mostrou-se convicta de que tal não acontecerá.

«Acho que não. As pessoas vão ter que perceber que os centros de saúde não podem ser usados com a mesma facilidade que anteriormente», afirmou.

No entanto, esclareceu que haverá reforço médico no horário de funcionamento para dar resposta a uma maior procura nesse período.

«Vai haver um reforço do atendimento. Em vez de dois, vai haver quatro médicos, pelo menos em Outubro e enquanto for necessário», disse.

De qualquer forma, esclarece que «o grosso do atendimento» é feito entre as 18:00 e as 20:00, depois das crianças saírem da escola.

A agência Lusa contactou a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) para tentar perceber a extensão desta medida, mas não obteve reposta.
Redação / PP