Portugal tem estabelecido contactos com a indústria farmacêutica internacional para evidenciar a capacidade e experiência das empresas nacionais para a produção de vacinas e dispositivos médicos, disse à Lusa o secretário de Estado da Internacionalização.

Eurico Brilhante Dias sublinhou que “Portugal tem condições para receber uma parte da produção das vacinas” contra o SARS-CoV-2, pelo que tem consultado o mercado internacional que “procura essa capacidade produtiva”.

Aquilo que estamos a fazer é posicionar a indústria farmacêutica portuguesa, que tem competências e experiência em áreas muito diferentes, e aproveitar esta oportunidade para as colocar comercialmente numa circunstância em que possa ser olhada pelos grandes produtores internacionais de vacinas, mas também por outros [líderes de] produtos farmacêuticos”, adiantou o secretário de Estado.

Para o governante, esta é “uma oportunidade”, que vai além da produção de vacinas.

Assumo que muitos laboratórios estão a querer concentrar as suas capacidades na produção da vacina, o que gera outras oportunidades de relocalização de produção, que neste momento é feita por eles e que têm de passar ou subcontratar a terceiros”, constatou.

É nesta medida que as “competências e experiência” da indústria farmacêutica portuguesa “também podem ser usadas”.

Neste momento muito importante, temos também uma oportunidade de comunicar uma indústria que hoje já exporta mais de 1,5 mil milhões de euros por ano, que é uma indústria que atrai recursos humanos muito qualificados e que, por isso, é também uma bandeira da nossa capacidade exportadora”, reforçou.

Para Eurico Brilhante Dias, a indústria farmacêutica tem “uma enorme margem de progressão para inovar e para investigar".

Para um país que se quer desenvolver, a indústria farmacêutica tem um conjunto de características muito interessantes, porque permite fixar recursos humanos qualificados e criar oportunidades para que os portugueses e as portuguesas que queiram ficar, possam ficar em postos de trabalho qualificados e bem remunerados”, acrescentou.

Por isso, o governante entende que é "decisivo continuar a apoiar esta indústria no sentido de ela ser um agente do desenvolvimento económico".

Já percebemos, pelo passado recente, que esta é uma indústria central, e alargando à indústria dos dispositivos médicos e equipamentos, para satisfazer necessidades básicas da nossa população. É normal, do ponto de vista das prioridades, inclusive da recuperação económica e da resiliência da União Europeia, esta seja uma indústria particularmente importante”, afirmou ainda o secretário de Estado.

Lembrando que o desenvolvimento das vacinas contra a covid-19 se encontram em fases diferentes, Eurico Brilhante Dias entende que este é o momento ideal para Portugal “mostrar a sua capacidade, para que, quando o processo arrancar” haver “alguma possibilidade de atrair e de fixar alguma capacidade produtiva”.

O que pretendemos é que Portugal seja incluído na cadeia de valor. Não compete ao Governo fazer negócios. Compete-nos diplomaticamente e usando a diplomacia económica mostrar e ilustrar. Depois são as empresas que fazem os negócios e apresentam as suas opções. O Governo não é parte, mas é, sob o ponto de vista do desenvolvimento do território, uma entidade que procura mostrar as competências e as valências da indústria nacional”, explicou.

Eurico Brilhante Dias adiantou que este trabalho, desenvolvido pelo Governo, pela rede diplomática e consular, pela AICEP [Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal] e pelo setor, já se desenvolve há, pelo menos, dois meses.

Sem querer revelar quais as empresas portuguesas que estão disponíveis para participar neste processo, o secretário de Estado admitiu serem as de maior relevo.

Do ponto de vista internacional são empresas que têm base nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Itália, na Alemanha e também na República Popular da China. São diferentes países, aproximadamente seis ou sete, onde temos feito um esforço de levantamento e contactos”, revelou.

O Secretário de Estado sublinhou ainda que esta posição que Portugal não está relacionada com a aquisição de vacinas.

Não está em causa os portugueses terem vacina se vier ou não a produção”, garantiu.

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