A forma como a população mundial olha para a vacinação varia muito entre zonas. Ao contrário dos países em desenvolvimento, nas nações europeias apenas cerca de metade dos habitantes confia na segurança das vacinas como forma de prevenção na saúde. Os responsáveis por estes dados culpam as redes sociais e o afastamento face a doenças mortais.

Na Europa ocidental, só 59% da população confia na segurança das vacinas, na Europa oriental são apenas 50%, números diferentes dos 79% a nível global.

No que diz respeito à eficácia da vacinação, em termos mundiais, 84% da população acredita que há, e 92% dos inquiridos dizem ter filhos com pelo menos uma vacina. França é o país europeu que menos crédito dá à vacinação, com um nível de desconfiança nos 33%, o mais alto, de acordo com o estudo do Wellcome Global Monitor, citado pelo jornal The Guardian.

Os especialistas acreditam que este número tem origem na confiança da população em equipas médicas, na ciência e instituições do Governo, mas também atribui à desconfiança razões como as redes sociais e o afastamento de doenças mortais, nomeadamente nos países desenvolvidos.

É, aliás, nos países em desenvolvimento que os níveis de confiança são mais elevados. O Ruanda, com 97%, é o país com maior crença nos benefícios das vacinas a nível mundial, seguido do Bangladesh.

É nos países em desenvolvimento que o confronto com doenças graves e mortais é maior e o acesso às redes sociais, onde se espalha a informação com rapidez e o combate à desinformação é difícil, é mais limitado.

É nos países mais ricos, em que não vemos o impacto terrível que estas doenças podem ter, que as pessoas são mais reticentes. Essa reticência é um luxo que poderemos vir a pagar”, garante Seth Berkley, chefe executivo da Gavi, uma parceria público-privada global que pretende aumentar o acesso à vacinação nos países em vias de desenvolvimento.

Imran Khan, da Wellcome, sustenta que a “cultura, contexto e a experiência” alteram a forma como as pessoas olham para o sucesso da vacinação.

Para este estudo foram inquiridas 140.000 pessoas à volta do mundo.