Os jovens a partir dos 16 anos vão começar a ser vacinados no fim de semana de 14 de agosto e nos fins de semana seguintes será a vez das crianças a partir dos 12 anos, se a DGS aprovar a medida. Fernando Chaves, médico pediatra do hospital Dona Estefânia, e Heloísa Santos, pediatra e presidente da Comissão de Bioética da Sociedade Portuguesa de Genética Humana, analisaram o tema, esta terça-feira, na TVI24.

Para a vacina estar aprovada, tanto pela EMA como pela FDA, significa que a vacina passou por crivos apertados para poder ser administrada mesmo em idades mais baixas”, sublinhou

Fernando Chaves esclareceu que, no seu entender, o “problema” não está na segurança da vacina. Para o especialista, a questão devia prender-se na existência ou não de necessidade de vacinar crianças com menos de 16 anos.

Vamos vacinar crianças com a mesma vacina com que vamos vacinar adultos de 18 anos ou de 40 anos, onde muitas vezes o índice de massa corporal de uma criança de 11 ou 12 anos é inferior. Será que uma criança com 30 quilos vai receber a mesma dose de vacina em mililitros que um adulto?”, questionou.

O pediatra criticou também a “pressa” em vacinar, acrescentando que não se sentiria “chocado” caso, dentro de alguns meses, se chegar à conclusão de que vacinados os jovens até aos 16 anos a pandemia não está controlada e que, por esse motivo, é necessário vacinar os mais novos. No entanto, contesta a necessidade de o fazer no atual momento pandémico.

Estamos a falar de uma pandemia em que estamos todos a aprender há um ano e meio e, infelizmente, há pessoas que sabem muito mais do que os outros e ninguém tem a modéstia de admitir que o sei hoje amanhã não é verdade. Vale a pena vacinar? Ninguém diz que não vale a pena. Acho é que não vale a pena vacinar já”, reparou.

Heloísa Santos, pediatra e presidente da Comissão de Bioética da Sociedade Portuguesa de Genética Humana, defendeu a posição contrária, salientando a importância de vacinar as crianças de forma a baixar o risco de transmissão da doença.

A especialista sublinhou ainda que, caso não sejam vacinadas, as crianças serão sujeitas aos mesmos casos que aconteceram no passado, com turmas inteiras a serem colocadas em quarentena devido a contactos positivos.

A vacina é um complemento importantíssimo para a normalização da vida das crianças", explicou.