A diretora da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, Carla Nunes, juntou-se, esta terça-feira, à reunião do Infarmed, que aconteceu em Lisboa, e revelou que Portugal tem cerca de 39,82 anos de vida potencialmente perdidos, por cada dez mil habitantes, desde o início da pandemia.

Este indicador calcula a idade na morte e a esperança média de vida, sendo que o valor dessa diferença é o dos anos de vida potencialmente perdida por uma determinada doença.

A investigadora da Universidade Nova, prontamente relativizou os valores, revelando que são semelhantes aos de Espanha e Inglaterra. Neste indicador, a Noruega é o país com menos valor.

Há uma esperança média de vida, que está definida em cada um dos países. Gostava de referir que Portugal e França são os dois países europeus, onde a diferença na esperança média de vida entre homens e mulheres é maior”, afirmou. Revelando posteriormente que é na Noruega que este valor é mais próximo.

Portugueses confiam mais nas vacinas contra a covid-19

Carla Nunes analisou a evolução da confiança dos portugueses, na vacina contra a covid-19. A especialista explicou que este este indicador é medido de duas maneiras, ao perceber a percentagem de pessoas que estariam disponíveis para receberem a vacina logo que possível, bem como a sua opinião em relação à segurança e eficácia da mesma. 

Desde 14 de novembro tínhamos um comportamento constante, mas desde aí tem havido um ganho na confiança na vacina", afirmou.

Quanto aos dados estatísticos relativos ao "tomar assim que esteja disponível", a 13 de novembro apenas 20% respondia afirmativamente. Atualmente, com dados de 5 de fevereiro, 75% dos portugueses afirmam que tomariam a vacina assim que esteja disponível.

Carla Nunes sublinhou a “recuperação positiva” em todos os indicadores após o período da quadra natalícia, no qual se registou “uma alteração para pior dos comportamentos” preventivos face à propagação do vírus SARS-CoV-2.

Nesse âmbito, a diretora da ENSP apontou a evolução de 76% para 92% a percentagem das pessoas que indicaram utilizar “sempre” a máscara quando saem de casa. Igualmente relevante, segundo Carla Nunes, foi a diminuição de pessoas que disseram sair todos os dias de casa.

“Na frequência de saída de casa sem ser em trabalho, na quinzena que terminou a 11 de dezembro, tínhamos 35% das pessoas a dizer ‘todos os dias ou quase todos os dias’. Temos agora, na mais recente quinzena em análise, 15%. Na distância de dois metros na saída de casa tínhamos valores [nas categorias de ‘algumas vezes’ e ‘nunca’] na ordem dos 20% a 8 de janeiro e temos agora 13% a 5 de fevereiro”.

Em sentido contrário, sobressai pela negativa a evolução da confiança dos portugueses na resposta dos serviços de saúde ao longo das últimas quinzenas em análise no estudo.

“Há uma diminuição de confiança recentemente. O nível de confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde à covid estava em 25% na categoria ‘pouco ou nada’ na quinzena que terminou em 25 de dezembro e temos 50% na quinzena que agora acabou”, observou Carla Nunes, sublinhando que a perceção ‘elevada ou moderada’ do risco de ficar infetado com covid numa instituição de saúde passou de 55% no Natal para os atuais 65%.

Diogo Assunção .