Gouveia e Melo disse, neste sábado, que recusar ser vacinado contra a covid-19 é "estar num totoloto" de “um em 600 portugueses” que em 2020 morreu com a doença.

Não ser vacinado significa ser um em 600 portugueses que no ano passado morreu, se a pessoa quer estar nesse totoloto acho que não é uma boa solução”, afirmou o vice-almirante coordenador da ‘task force’ do plano de vacinação, no final de uma visita ao centro de vacinação de Gondomar, no distrito do Porto.

Sobre os receios das pessoas em serem vacinadas com a vacina “a ou b”, porque causam “este e aquele problema”, Henrique Gouveia e Melo frisou que acontece “um caso em um milhão", “muito diferente de um caso em 600”.

As pessoas têm de perceber de que lado querem estar, avisou, acrescentando que não vacinar não significa estar “numa bolha isolada e conseguir fugir ao problema”.

O coordenador da ‘task force’ reforçou que é “muito mais perigoso" não ter a vacina do que ter a vacina.

Não me parece que seja uma boa decisão [não tomar a vacina], a decisão é individual, cada um tem liberdade para decidir, mas não tomar a vacina é, na minha modesta opinião, um erro e constitui um perigo para a pessoa e para a sociedade”, vincou.

Mais de três milhões de mortes causadas pela covid-19 foram registadas no mundo desde dezembro de 2019, segundo um levantamento realizado hoje pela agência de notícias AFP a partir de dados fornecidos pelas autoridades de saúde.

Após um ligeiro abrandamento em março, o número de mortes diárias está a aumentar novamente no mundo, com uma média de mais de 12.000 óbitos diários na semana passada, aproximando-se das 14.500 mortes diárias registadas no final de janeiro, no auge da pandemia.

Em Portugal, morreram 16.937 pessoas dos 829.911 casos de infeção confirmados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

"Um dever cívico e ato altruísta"

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, afirmou hoje que o ato de vacinação é “um dever cívico” e um gesto “altruísta” e apelou à confiança de todos os portugueses nas vacinas disponíveis.

“É importante que, não sendo obrigatória a vacinação, nos sintamos obrigados. Eu não estou a dizer que aqueles que não se vacinam são egoístas, mas eu sei que quando nos vacinamos o que estamos a fazer é protegermo-nos a nós e ao nosso entorno”, afirmou o governante.

Tiago Brandão Rodrigues falava aos jornalistas no final de uma visita ao centro de vacinação do concelho da Amadora (distrito de Lisboa), para assinalar o início do processo de vacinação a docentes e não docentes dos estabelecimentos de ensino e dos profissionais das respostas sociais.

“Até agora já tivemos 25 mil vacinados e ainda estamos na manhã de sábado. Isto mostra, também, o ritmo destes quase 300 postos em todo o país”, sublinhou.

Questionado sobre a recusa de docentes e não docentes em receber a vacina, o governante disse esperar que o tenham feito por questões “atendíveis”.

Obviamente que esperamos que as razões que levaram esses docentes e não docentes a dizer que não sejam razões atendíveis e que não seja única e exclusivamente pela hesitação de querer receber a vacina. Imaginemos que alguém foi operado ou estava ausente do país e que possa ser vacinado nas próximas semanas”, apontou.

Às dúvidas levantadas em relação à vacina da AstraZeneca, o ministro da Educação apelou a uma confiança generalizada em todas as vacinas disponíveis para inoculação.

“Acreditem no sistema de vacinação, acreditem em todas as nossas vacinas. Existe um conjunto de cuidados que estão a ser tomados por parte das autoridades”, sublinhou.

A acompanhar esta visita esteve também a ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, Ana Mendes Godinho, que destacou a redução do número de óbitos em lares e o facto de 60 mil trabalhadores das respostas sociais serem nesta fase vacinados.

Nós temos neste momento o número mais baixo que tivemos este ano em termos de surtos de lares. Tivemos a primeira semana sem óbitos relacionados com covid nos lares, fruto também deste trabalho de todos”, atestou.

Plataforma de autoagendamento deve estar disponível em 15 dias

O autoagendamento da toma da vacina contra a covid-19, através de uma plataforma digital, está a ser concluído, devendo estar em funcionamento daqui a 15 dias, adiantou, ainda, o coordenador da ‘task force’.

O autoagendamento está a ser terminado, vai ainda ser testado e, só depois, é que vai entrar, segundo a linguagem informática, em produção. Espera-se a entrada em produção daqui a 15 dias”, afirmou o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo.

Nos últimos tempos “aconteceram coisas”, nomeadamente relacionadas com as vacinas, que fizeram com que houvesse outras prioridades para resolver “mais urgentemente”, justificou.

O coordenador da ‘task force’ lembrou que o mundo está a mudar e o planeamento tem de se adaptar a essas mudanças.

Já sobre a vacinação dos professores, processo que decorre este fim de semana, o vice-almirante Gouveia e Melo disse estar a ser administrada a vacina da Pfizer por “motivos logísticos”.

“A operação é muito complexa logisticamente, a grande maioria das pessoas [vacinadas este fim de semana] faz parte de uma faixa etária em que é aconselhável a vacina da Pfizer ou da Moderna”, referiu.

O responsável defendeu que tem de haver uma distribuição diversificada das diferentes vacinas no território nacional, não fazendo sentido concentrar vacinas por regiões.

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