José Crespo Carvalho, especialista em logística de saúde e professor catedrático no ISCTE, analisou, este domingo, na TVI24, o plano de vacinação avançado pelo Governo, considerando que o sistema de vacinas por marcação proposto poderá gerar um “engarrafamento” no sistema, sobrecarregando ainda mais os centros de saúde.

Um sistema de marcação é um sistema criador de um ‘bottleneck’, em que cada centro de saúde vai ter, para além da equipa que faz a vacinação, uma equipa encarregue de tratar da marcação das vacinas”, frisou.

Sobre se o Serviço Nacional de Saúde tem capacidade de para dar resposta à primeira fase de vacinação, que engloba mais de 950 mil pessoas, o especialista garante que, com os 1200 pontos de vacinação anunciados, os primeiros grupos devem estar vacinados em “pouco mais de dois meses”.

Outra das questões que têm sido levantadas nos últimos dias, é o facto de a vacina anunciada pela Pfizer necessitar de uma temperatura de 70º negativos para ser preservada, algo que seria difícil, uma vez que os Centros de Saúde portugueses não têm equipamento que permita a conservação em temperaturas tão baixas.

No entanto, José Crespo Carvalho garante que é possível conservar as doses prontas para consumo em malas isotérmicas, durante quinze dias, mudando o gelo seco no seu interior de cinco em cinco dias e, assim, ultrapassar essa limitação.

Estamos a falar de 1200 pontos de vacinação, ou seja, vamos precisar de muitas dessas caixas”, revelou. “Outro problema prende-se nos meios disponíveis para fazer transporte. É preciso perceber como é que o transporte vai ser feito até aos pontos de vacinação”.

O especialista em logística da saúde relembrou que esta é apenas uma primeira versão de um plano e que, por isso, poderá sofrer alterações.

Falta ainda atribuir tarefas a cada um destes pontos de vacinação. O que significa que ainda há muita coisa por aberto no plano”, considerou.

Questionado sobre se as farmácias devem fazer parte deste plano de vacinação, o professor universitário descartou, para já, essa solução, apontando a utilização das farmácias comunitárias para “uma segunda fase”.

Apostaria mais num modelo que não passasse tanto pelo SNS, uma vez que há outras patologias que merecem tratamento e vamos fazer fluir novas filas de espera nos hospitais públicos”, explicou.