Foi anunciado, nesta quinta-feira, o plano de vacinação contra a covid-19 em Portugal e que coloca no topo dos grupos prioritários os doentes de risco com mais de 50 anos, os idosos em lares e os profissionais de saúde.

O anúncio foi feito esta tarde pelo coordenador da task force do plano de vacinação, Francisco Ramos, já depois de, na véspera, a ministra da Saúde ter revelado que está prevista uma compra de 22 milhões de doses das vacinas aprovadas pela Agência Europeia do Medicamento.

A primeira fase de vacinação, que arranca já em janeiro, dirige-se, assim, a "pessoas com 50 ou mais anos com pelo menos uma das seguintes patologias: insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal e doença respiratória crónica com suporte ventilatório; pessoas residentes em lares e internadas em unidades de cuidados continuados e os respectivos profissionais; profissionais de saúde diretamente envolvidos na prestação de cuidados" e outros professionais de serviços essenciais e críticos, como Forças Armadas e forças de segurança.

São cerca de 950 mil pessoas: 250 mil dos lares (utentes e profissionais), 400 mil doentes de risco e 300 mil profissionais de saúde e outros profissionais.

A segunda fase de vacinação, que só deverá arrancar no segundo trimestre de 2021, engloba mais dois grupos prioritários, ou seja, "pessoas com 65 e mais anos sem qualquer patologia e um segundo grupo a partir dos 50 e até aos 64 com o alargamento das patogias diabetes, neoplasia maligna ativa, doença renal crónica, insuficiência hepática, obesidade e hipertensão arterial", sendo que poderão ser incluídas outras patologias.

Trata-se de um universo de 1,8 milhões de pessoas com mais de 65 anos e cerca de 900 mil com as comorbilidades definidas para aqueles com idade entre os 50 e 64 anos.

A terceira fase engloba o resto da população, caso se mantenha a previsão atual de disponibilização de vacinas, caso contrário será definido um terceiro grupo prioritário.

A vacinação arranca em janeiro, sem dia determinado para já, e a primeira fase deverá ocorrer até fevereiro, numa perspetiva otimista, podendo, na pior das hipóteses, estender-se até abril, sendo que o mais provável é que dure até março.

A segunda fase de vacinação deverá arrancar no segundo trimestre, caso se mantenham as previsões mais otimistas, devendo iniciar em março ou abril e ficar concluída até junho ou julho.

As vacinas adquiridas até ao momento pelo Governo português são as seguintes, segundo anunciou o presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo: 6,9 milhões de doses da AstraZeneca, 4,5 milhões da Johnson & Johnson, 4,5 milhões da Pfizer, 4/5 milhões da CureVac, 1,8 milhões da Moderna e um número de doses por determinar da vacina da Sanofi-GSK

A vacinação vai decorrer nos "pontos existentes" no Serviço Nacional de Saúde, que, sublinhou Francisco Ramos, tem uma "experiência de 40 anos" nesta matéria, ou seja, 1.200 mil postos em centros de saúde que serão utilizados pelos 400 mil doentes de risco do primeiro grupo prioritário, uma vez que os idosos e os profissionais dos lares serão vacinados nas respetivas unidades e os profissionais de saúde nos seus locais de trabalho.

Para as fases seguintes ainda não há um plano completamente definido, sendo que, adiantou o coordenador da task force, "será precisa uma expansão da rede de pontos de vacinação" conforme o calendário e o ritmo de abastecimento das vacinas.

Será, também, obrigatório que todo o processo de vacinação fique registado, sendo estabelecido desde logo que aqueles que vão sendo vacinados ficam logo com a segunda dose marcada.

Todas as reações adversas serão monitorizadas e, simultaneamente, decorrerão estudos de seguimento clínico e efetividade das vacinas.

Catarina Machado