Cientistas norte-americanos estão a estudar a possibilidade de vacinas intranasais contra a covid-19, que podem substituir a injeção no braço, segundo uma reportagem publicada na revista National Geographic.

Procuram uma nova forma de administrar vacinas para uma imunidade mais forte e duradoura, sabendo-se, desde já, que as atuais vacinas não são 100% eficazes.

Numa altura em que a administração de uma terceira dose ganha cada vez mais força, vários estudos de universidades norte-americanas, revelam, agora, a eficácia destas vacinas intranasais, testadas em ratos, hamsters e primatas. 

Entre as principais candidatas estão seis vacinas, ainda na primeira fase de ensaios clínicos.

Uma injeção no braço é como uma vacinação de dentro para fora. Geramos imunidade no corpo inteiro e alguns destes anticorpos infiltram-se nas vias respiratórias. Mas o spray nasal funciona ao contrário, estimulando primeiro o local da infeção e depois o resto do corpo", explica o pneumologista pediátrico Paul McCray, também professor na Universidade do Iowa.

Imunologistas garantem que o novo método de administrar a vacina faz toda a diferença na resposta imunológica porque se assemelha mais à forma como o vírus nos infeta naturalmente, através de membranas mucosas do nariz e das vias aéreas superiores.

Se desejamos gerar uma resposta imunitária sustentável e duradoura, devemos vacinar localmente”, defende José Ordovas-Montañes, imunologista da Universidade de Harvard.

Ordovas-Montañes explica, também, que quando levamos uma injeção no braço estamos a induzir imunidade que afeta todo o organismo, onde os nossos anticorpos e células T (tipo de glóbulo branco com papel essencial no sistema imunitário) se distribuem em torno dos vasos sanguíneos. 

Esta abordagem não é perfeita porque as células imunitárias não estão focadas no local por onde o vírus entra no corpo. 

Creio que o grande benefício é gerarmos imunidade no local de infeção. É aí que precisamos de imunidade, onde o vírus está a entrar”, diz Donna Farber, imunologista da Universidade da Columbia.

Paul McCray e os seus colegas publicaram um artigo na Science Advances que revela que os ratos e furões ficam protegidos contra casos graves de doença após uma só dose da vacina intranasal. 

Existem algumas vacinas orais aprovadas para combater infeções como a poliomielite e a cólera. Este tipo de vacinas prepara os tecidos da mucosa intestinal, da mesma forma que as vacinas intranasais preparam o trato respiratório. Em muitos casos, estas vacinas funcionam melhor do que uma injeção.

Este tipo de tratamento ainda é raro, mas especialistas esperam que a pandemia venha alterar esta situação. 

Redação / IM