O Governo Regional dos Açores não vai incluir, para já, os professores na primeira fase de vacinação contra a covid-19, por escassez de vacinas, adiantou esta quinta-feira o diretor regional da Saúde, Berto Cabral.

A região tem o seu plano aprovado e é evidente a escassez de vacinas, pelo que, neste momento, é impossível assumirmos a vacinação nesta fase aos professores”, afirmou Berto Cabral, em conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

Segundo Berto Cabral, a situação poderá ser reavaliada, se for anunciada a chegada de mais vacinas à região, mas por enquanto o plano de vacinação contra a covid-19 dos Açores mantém-se sem alterações.

“Até ao momento, e com a informação que dispomos, apenas podemos assumir concluir a primeira fase de vacinação nos termos do plano atual”, apontou.

Nos Açores, já foram administradas 42.533 doses de vacinas contra a covid-19 a 27.463 pessoas, das quais 15.070 já receberam duas doses.

Segundo o último relatório de vacinação, São Miguel era a ilha com menor taxa de vacinação, mas Berto Cabral sublinhou que a maior ilha do arquipélago tem também mais casos ativos e, por isso, mais recursos humanos afetos ao combate à pandemia.

São mais pessoas para testar diariamente. Nas equipas multidisciplinares de Rabo de Peixe, por exemplo, estiveram em permanência três enfermeiros sete dias por semana”, salientou.

Questionado sobre o plano de aceleração da vacinação contra a covid-19, o diretor regional da Saúde disse que está a ser trabalhada uma solução que permita garantir recursos humanos de enfermagem suficientes, mas sublinhou que é preciso que cheguem primeiro as vacinas.

Qualquer plano para acelerar a vacinação que não contemple mais vacinas não funcionará. O que importa, claramente, desde já, é que cheguem mais vacinas aos Açores. Os Açores não têm, neste momento, muitas vacinas por administrar, as alocações estão feitas, as distribuições pelas várias ilhas, e o processo está a decorrer”, reforçou.

A solução deverá passar, segundo Berto Cabral, pelo reforço de horas extraordinárias dos enfermeiros.

Olhando para a frente, é uma preocupação que temos e estamos a trabalhar na forma de poder [fazer com] que os recursos humanos de enfermagem possam dar resposta à necessidade que vai existir”, apontou.

O diretor regional da Saúde admitiu, por outro lado, que tem havido um aumento da recusa de vacinação nos Açores, não só da vacina da AstraZeneca, como da Pfizer.

O processo genericamente está a correr bem. É inegável que houve uma maior taxa de recusa com toda a situação que foi conhecida da suspensão da vacina da AstraZeneca. É importante continuar a passar uma mensagem de confiança às pessoas de que a vacina é segura e eficaz”, afirmou.

Os Açores estimam receber 40.950 doses de vacinas contra a covid-19 no mês de abril, todas da Pfizer.

A região têm atualmente 125 casos ativos de infeção pelo novo coronavírus que provoca a doença covid-19, dos quais 124 em São Miguel e um na Terceira.

Desde o início da pandemia foram diagnosticados no arquipélago 4.117 casos, tendo ocorrido 3.855 recuperações e 29 óbitos. Saíram do arquipélago sem terem sido dadas como curadas 67 pessoas e 41 apresentaram comprovativo de cura anterior.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.745.337 mortos no mundo, resultantes de mais de 124,8 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.814 pessoas dos 819.210 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

. / JGR