O Sindicato Nacional da Polícia, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia e a Associação dos Profissionais da Guarda já afirmaram que vão tomar providências caso seja alterado o plano de vacinação contra a covid-19 e as forças de segurança percam a sua prioridade.

Perante isto, o Sinapol irá ponderar seriamente apresentar competente providência cautelar no sentido de suspender a decisão arbitrária e sem sentido agora tomada de afastar os profissionais da PSP do grupo de profissionais prioritários”, adianta o sindicato em comunicado.

O Sinapol considera a decisão “um ultraje” e “uma enorme desconsideração para com aqueles que todos os dias estão na linha da frente na fiscalização e implementação das medidas de contenção da pandemia em Portugal”.

O sindicato refere ainda que esta decisão pode pôr em risco a capacidade operacional da PSP ao nível de recursos humanos, relembrando as declarações do ministro da Administração Interna no parlamento, que afirmou que 10% do efetivo da PSP não trabalhou na última quinzena de janeiro devido à covid19.

"No mínimo, devem realizar testes de 15 em 15 dias"

Também o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), César Nogueira, defendeu hoje que devem ser realizados testes com frequência às forças de segurança caso seja alterado o plano de vacinação contra a covid-19.

Visto que o plano de vacinação vai ser alterado, no mínimo, aquilo que o Governo deve fazer é realizar testes de 15 em 15 dias ou de mês a mês a estes profissionais” para poder haver “uma melhor despistagem” e os militares “não andarem a infetar outras pessoas” porque todos os dias têm de andar no terreno.

Segundo César Nogueira, esses testes à covid-19 nunca foram realizados, dando o seu exemplo: “ontem [quinta-feira] fui vacinado, mas até à data de ontem nunca fiz um teste e ando todos os dias no terreno, sou patrulheiro, contacto com pessoas e não faço a menor ideia se fui infetado e já passou”.

César Nogueira disse perceber que devido à escassez de vacinas existam outras pessoas prioritárias, nomeadamente os idosos e pessoas com algumas patologias, mas lamentou serem “relegados novamente para trás”.

Aquilo que nós achamos é que tudo isto está um pouco mal delineado, não sabemos o motivo deste atraso da vacina, certamente que será por atraso do fornecedor, mas isto é demonstrativo de que os profissionais da linha da frente, onde se incluem os profissionais das forças e serviços de segurança, mais uma vez, como já é apanágio, são relegados para um plano posterior”, lamentou o presidente da APG/GNR.

O presidente da APG/GNR estima que o número de vacinados não passará dos 2.000, faltando oito mil dos que estavam previstos vacinar nesta primeira fase do plano de vacinação.

Polícias ainda não oficialmente informados da alteração

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) manifestou também “alguma preocupação” com o retardar da vacinação das forças de segurança contra a covid-19 e defendeu que o Governo devia dar “um sinal de resolução do problema”.

Contactado pela agência Lusa, o presidente da ASPP/PSP, Paulo Santos, afirmou que é uma “questão sensível”, mas não deixa de “mostrar alguma preocupação, uma vez que este modelo de vacinação já estava a ser aplicado na PSP. “Há polícias que já foram vacinados numa primeira fase” e há outros que estão notificados para ser vacinados já este fim de semana, salientou.

O presidente da ASPP/PSP defendeu que se trata de um conjunto de profissionais que, estando num conjunto de missões e de fiscalizações para corresponder àquilo que são as necessidades do combate à pandemia, onde estão na primeira linha, já deviam estar vacinados.

O processo deveria estar já mais acelerado e mais desenvolvido e agora agrava tudo com este obstáculo que é colocado e que de alguma forma nos deixa preocupados”, lamentou.

O que agentes da PSP queriam é que “este processo não tivesse qualquer constrangimento”, disse, considerando ser “importante que o poder político tenha alguma capacidade de resolver o problema”.

No seu entender, deve pensar-se noutros instrumentos que possam mitigar de alguma forma as infeções, como a testagem e outro tipo de organizações do modelo de trabalho.

Por isso, defendeu, “era importante que o poder político desse um sinal de resolução do problema”, tendo em conta que não se deve “alongar muito mais esta situação”. Paulo Santos disse, por outro lado, que esta notícia os deixou “um pouco apreensivos” desde logo pela forma como lhes foi comunicado.

Segundo o presidente da ASPP/PSP, os agentes não receberam qualquer informação sobre a alteração do plano de vacinação contra a covid-19, tendo conhecimento desta situação pelos órgãos de comunicação social.

“O que está em causa, segundo me parece perceber, é a dificuldade e a escassez de vacinas e ter de optar por uma questão de continuar o processo nas polícias, nos bombeiros etc. ou então optar por grupos da sociedade, pessoas mais idosas e afetados também com problemas de saúde. É uma questão sensível”, sublinhou.

/ MJC