O Ministério da Educação vai apurar o que se passou na Escola Secundária de Vagos, onde os alunos organizaram um protesto contra a homofobia, alegando que a direção proibiu duas alunas homossexuais de trocarem manifestações de carinho na escola.

Contactado pela TVI24, o ministério de Tiago Brandão Rodrigues repudiou, desde logo, “qualquer ato de discriminação”.

“O Ministério da Educação teve esta quarta-feira conhecimento do referido caso, pelo que vai agir no sentido do apuramento dos alegados factos. O Ministério da Educação repudia qualquer ato de discriminação.”

Segundo que os alunos relataram esta quarta-feira à TVI24, as duas alunas terão sido chamadas à direção, na segunda-feira, depois de uma funcionária as ter visto a beijarem-se dentro da escola. Nessa altura, segundo os alunos, que não se quiseram identificar, os responsáveis do estabelecimento de ensino proibiram o ato de carinho, com a justificação de que isso “incomoda as pessoas”. 

No seguimento desta alegada proibição, os alunos realizaram um protesto esta quarta-feira, muito divulgado nas redes sociais.

Contactada várias vezes pela TVI24, a escola recusou prestar quaisquer declarações, referindo, tanto ontem como hoje, que a direção se encontra reunida.

Ao Jornal de Notícias, o diretor da escola, Hugo Martinho, garantiu que "não houve qualquer repreensão ou crítica à orientação sexual das alunas", mas admitiu que foi pedida "alguma contenção".

"Um elemento da direção falou com uma das alunas, num local reservado, pedindo alguma contenção, no sentido de as proteger."

Após o protesto, os alunos alegam que terão sido ameaçados com processos disciplinares, uma informação que a escola ainda não confirmou, nem desmentiu.

Hugo Martinho disse apenas ao JN que o protesto "não é representativo do universo de alunos da escola" e confirmou ter recebido um abaixo-assinado dos alunos.

Esta quarta-feira, o Bloco de Esquerda já tinha questionado o Ministério da Educação sobre o caso e sobre quais as medidas que vai tomar para impedir "qualquer ato discriminatório por parte desta escola em relação às duas alunas e a toda a comunidade escolar devido à sua orientação sexual".

 

E esta quinta-feira foi a vez do PS. Apesar do MInistério da Educação já ter dito que iria averiguar o sucedido, o PS questionou o Ministério sobre a alegada discriminação de duas alunas da Escola Secundária de Vagos.

"Caso os factos se confirmem, que medidas e diligências tomou ou irá tomar o Ministério da Educação para salvaguardar o direito das alunas e alunos desta escola a não serem discriminados em função da respetiva orientação sexual?", questionam deputados socialistas.

No documento dirigido ao ministério de Tiago Brandão Rodrigues, os parlamentares socialistas questionam igualmente a tutela sobre a salvaguarda do direito à manifestação, "sem serem submetidos à alegada ameaça de instauração de processo disciplinar", que alegadamente pende sobre alunos que reagiram à posição da direção da escola com um protesto em defesa das colegas.