A Comissão Técnica de Vacinação Contra a Covid-19 está a analisar a vacinação das faixas etárias acima dos 12 anos e deverá emitir parecer antes do arranque do ano letivo, revelou o coordenador desta estrutura.

Em entrevista à agência Lusa, Válter Fonseca, coordenador da comissão técnica, um órgão consultivo da Direção-Geral da Saúde (DGS), disse que o parecer está a ser elaborado e “será naturalmente conhecido para que o planeamento da vacinação possa ser feito atempadamente", como tem sido feito desde o início da campanha.

Será feito um parecer (…) de forma atempada e para proteger a saúde pública, nos 'timings' mais adequados, também em função da evolução da cobertura vacinal da restante população, que continua a ser a nossa prioridade", acrescentou.

O responsável falava depois de as autoridades regionais da Madeira terem anunciado que a região vai começar a vacinar contra a covid-19 alunos a partir dos 12 anos para que iniciem o próximo ano letivo imunizados.

Contudo, em declarações à agência Lusa, o coordenador da comissão técnica de vacinação insistiu: “A vacinação de adultos com esquema vacinal completo continua a ser a nossa melhor estratégia, à data de hoje, com os dados que temos, para conseguir alcançar um melhor controlo possível da transmissão”.

Sobre o aumento de casos de infeção em Portugal, quando menos de 40% da população portuguesa tem o esquema vacinal completo, Válter Fonseca lembrou que as vacinas não são 100% eficazes e que se devem manter todas as medidas de proteção.

Mas quem está a ficar infetado não são as pessoas vacinadas. (…) Isto é também importante que se clarifique", sublinhou.

O responsável fez igualmente uma leitura dos casos atuais, explicando: ”Quando nós olhamos para a curva de novos casos e depois desconstruímos em faixas etárias, conseguimos perceber que ela tem duas partes - uma parte, sobretudo acima dos 50, onde há muitíssimo poucos casos, e uma parte, antes dos 50 anos, onde estão a maior parte dos casos”.

Válter Fonseca lembrou que a prioridade “continua a ser a vacinação das faixas etárias adultas com esquema completo”, para tentar controlar a transmissão do novo coronavírus, sublinhando que, não sendo as vacinas completamente eficazes, é importante usar “todas as medidas em simultâneo”, apontando, designadamente, o uso da máscara, a distância física e a higienização das mãos.

Coordenador recusa incentivos e acredita que jovens vão vacinar-se

O coordenador da comissão técnica acredita que não será necessário qualquer incentivo para levar os jovens a vacinarem-se e lembra que Portugal tem das melhores taxas de cobertura vacinal e jovens responsáveis.

Eu acredito que vai correr bem. Portugal tem uma história de adesão à vacinação que é das melhores do mundo. Temos taxas de cobertura vacinal muito elevadas e temos jovens responsáveis", afirmou.

O responsável da DGS disse que todos os portugueses, mais e menos jovens, sentiram o impacto da pandemia nas suas vidas – “quer enquanto pessoas, quer em sociedade” - e está convicto de que “todos querem ultrapassar esta situação”.

Havendo hoje a possibilidade de vacinar a população e, com isso, controlar esta pandemia, todos nós certamente queremos que isto seja ultrapassado com a maior rapidez possível. Juntando esta perceção, que os jovens têm, com o que é a nossa tradição de elevadas coberturas vacinais em Portugal, penso que temos tudo para termos sucesso na vacinação nesta fase."

Questionado sobre se seria uma boa estratégia para acelerar o processo optar por vacinar os rapazes com a vacina da Janssen, de toma única, em vez de uma vacina de duas doses, o responsável respondeu: “Se nós começarmos a ter apenas uma vacina para esta situação, começamos a complexificar o processo”.

Acho que o que faz sentido é usarmos todas as armas que temos", afirmou o especialista da DGS, lembrando que "todas as vacinas contra a covid-19 são, quando têm o esquema completo, eficazes para prevenir a doença sintomática, a hospitalização e a morte".

Sublinhando que todas as vacinas disponíveis conseguem o objetivo de “controlar a pandemia e prevenir a doença grave”, Válter Fonseca insistiu: “Devemos utilizar todas as armas que temos para todas as faixas etárias onde elas estão recomendadas”.

O coordenador da comissão técnica insistiu na efetividade e segurança das vacinas, mesmo perante a variante delta, com maior capacidade de contágio, explicando: “A primeira dose confere alguma proteção, sobretudo para casos de hospitalização mais graves. Mesmo para a variante delta, os estudos mostraram que, para mortalidade e para hospitalização, uma dose continua a ter grande impacto de prevenção”.

/ CE