A Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) atualizaram esta sexta-feira as linhas vermelhas da covid-19 em Portugal, que estabelecem os diferentes parâmetros de controlo da pandemia.

Por esta altura a variante Delta, detetada inicialmente na Índia, é já prevalente em todo o território nacional, sendo responsável por quase 95% dos casos registados no país.

Com uma atividade epidémica "de elevada intensidade e tendência crescente", esta mutação afeta já todas as idades, tendo maior impacto nas regiões do Algarve, Lisboa e Vale do Tejo e Norte.

A sua frequência tem aumentado em todas as regiões durante as últimas semanas, variando entre 87,0% (Norte) e 100% (Alentejo e Regiões Autónomas dos Açores e Madeira) na semana 27/2021, de acordo com os dados apurados até à data", informa o relatório.

É por causa da variante Delta, dizem DGS e INSA, que a pressão nos cuidados de saúde tem vindo a sofrer uma "subida gradual".

Ainda que o atual risco de infeção nos grupos mais velhos seja menor do que o da população em geral, o incremento do número de casos no grupo etário acima dos 80 anos pode vir a condicionar um aumento de número de internados e eventualmente do número de óbitos nas próximas semanas", acrescenta o relatório, que aponta a possibilidade de subida nas mortes de doentes acima dos 80 anos.

Com efeito, a taxa de incidência subiu em todas as faixas etárias, e o relatório das linhas vermelhas destaca o incremento nos mais velhos. Apesar de continuarem a ter menos casos, a subida foi de 54% relativamente à semana anterior, o que significa uma incidência de 128 casos por 100 mil habitantes nas pessoas com mais de 80 anos.

Todos os grupos etários apresentam uma tendência crescente da incidência. O grupo etário com incidência cumulativa a 14 dias mais elevada correspondeu ao grupo dos 20 aos 29 anos (mil casos por 100 mil habitantes)", acrescenta a DGS.

Apesar disso, Portugal mantém-se ainda abaixo das 255 camas definidas como limite nas unidades de cuidados intensivos, que estão com uma ocupação de 70% em relação a esse valor.

Esse é de resto um dos poucos parâmetros que o país cumpre nesta altura, uma vez que o índice de transmissibilidade está em 1,07 (bem acima do nível limite de 1), a incidência disparou para 427 casos por 100 mil habitantes (quase o dobro dos 240 definidos), sendo que também a positividade dos testes aumentou, sendo agora de 5,2%, acima dos 4% estabelecidos como limite.

Estes são dados que confirmam os últimos valores que Portugal tem registado, havendo já dois dias seguidos com 16 mortes, os valores mais altos em cerca de quatro meses.

António Guimarães