A variante da covid-19 identificada no Reino Unido representa atualmente 70,6% dos casos de infeção registados em Portugal Continental. Segundo um relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) publicado esta sexta-feira, a mutação B.1.1.7 é a mais prevalente na sociedade portuguesa.

Recorde-se que esta variante, inicialmente identificada no mês de setembro de 2020, é até 70% mais contagiosa, podendo também provocar complicações mais graves que o vírus original.

Segundo o relatório da DGS e do INSA, foram diagnosticados 50 casos da variante B.1.351, primeiramente identificada na África do Sul, e que também tem um maior potencial de contágio.

Após inquérito epidemiológico não foi possível estabelecer o contexto de transmissão de alguns casos (link epidemiológico), o que sugere a possibilidade de transmissão comunitária, ainda que de muito baixa expressão", acrescenta o relatório.

Até 28 de março foram ainda diagnosticados 22 casos da variante P.1, que foi detetada no Brasil, sendo que todos os casos foram de pessoas residentes na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Durante a investigação epidemiológica identificou-se história de viagem na maioria dos casos, não havendo evidência de transmissão comunitária sustentada em Portugal", esclarecem DGS e INSA.

Além de serem mais contagiosas e potencialmente mais perigosas a nível de letalidade, teme-se que estas variantes também possam representar uma ameaça às vacinas desenvolvidas contra a covid-19.

Apesar disso, os estudos mais recentes das farmacêuticas cujas vacinas estão a ser aplicadas, como é o caso da Pfizer, apontam que a eficácia mantém-se elevada na proteção contra as mutações do SARS-CoV-2.

António Guimarães