O advogado do major Vasco Brazão admite pedir o levantamento do segredo de justiça para que sejam divulgadas partes do interrogatório judicial “em nome da honra e dignidade” do ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar (PJM), que revelou ao juiz de instrução criminal que o próprio e o ex-diretor da PJ Militar entregaram em mão um memorando com a explicação de toda a operação ao chefe de gabinete do ministro Azeredo Lopes, e que o chefe de gabinete, também ele do exército, terá telefonado ao ministro a informá-lo da situação.

Em Bruxelas, o ministro da Defesa negou "categoricamente", pouco depois, que isso tenha acontecido. Ora, confrontado pelos jornalistas com as declarações do ministro, o advogado do major, Ricardo Sá Fernandes, admitiu vir a falar publicamente sobre o assunto e a pedir autorização junto das autoridades judiciárias para o efeito.

Não me cabe estar a fazer declarações públicas sobre aquilo que o meu cliente disse ao tribunal. Eu não vou fazer declarações públicas sobre esta matéria, a não ser que ocorram circunstâncias tais que me obriguem, na defesa da sua honra, da sua dignidade, a prestar essas declarações”.

O advogado falava aos jornalistas no Campus da Justiça, à margem do julgamento dos 19 militares do Exército acusados no processo da morte de dois recrutas durante o 127.º curso de Comandos, onde é advogado da família de uma das vítimas mortais.

Ricardo Sá Fernandes escusou-se a comentar diretamente as declarações do ministro da Defesa, mas admitiu “abrir uma exceção” e falar publicamente sobre o processo de Tancos, cita a Lusa.

"Se as circunstâncias me obrigarem a invocar essa exceção, naturalmente que utilizarei essa possibilidade”, reiterando que caso entenda que há circunstâncias que justifiquem essa intervenção, porque é isso que o seu estatuto lhe permite que faça, o irá fazer.

À pergunta se poderá ser suscitada perante os agentes judiciários autorização para serem divulgadas partes do primeiro interrogatório judicial realizado ao seu constituinte, Ricardo Sá Fernandes respondeu que “isso está previsto na lei, em que certas circunstâncias, possa ocorrer”.

Questionado se poderá vir a fazer isso em nome da honra e do bom nome do seu cliente, o advogado respondeu: “Eventualmente, se isso for necessário, fá-lo-ei”.

A Polícia Judiciária deteve, no dia 25 de setembro, no âmbito da Operação Húbris, que investiga o caso da recuperação das armas furtadas em Tancos, o diretor e outros três responsáveis da Polícia Judiciária Militar, um civil e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

Na sexta-feira, o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decretou prisão preventiva para o diretor da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, e para o civil.

O furto de material militar dos paióis de Tancos - instalação entretanto desativada - foi revelado no final de junho de 2017. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.