O papa Francisco alertou na segunda-feira para a “hemorragia” de freiras e padres em Itália e na Europa, dizendo que só Deus sabe quantos seminários, mosteiros, conventos e igrejas vão fechar por escassez de pessoas a prestar serviço religioso.

Francisco disse aos bispos italianos que está preocupado com “a crise das vocações” na região do mundo que já foi uma das principais fornecedoras de missionários católicos.

Avançou também que a Itália e a Europa estavam a entrar num período de “esterilização de vocações”, admitindo não saber se há solução.

O número de padres católicos em todo o mundo diminuiu em 136 para 415.656 em 2015, o último ano para o qual existem estatísticas.

Mas, segundo as estatísticas do Vaticano, a redução foi maior na Europa, onde de 2014 para 2015 o número baixou em 2.502. A descida na Europa foi atenuada pelo crescimento nas vocações para padre em África e na Ásia, onde a igreja na sua totalidade está a crescer.

Durante o mesmo período, o número de católicos batizados aumentou de 1,27 milhões para 1,29 milhões, o que significa que está a aumentar o número de católicos por padre.

Ao discursar, na segunda-feira, perante a conferência anual dos bispos italianos, Francisco atribuiu a escassez de padres a fatores como as mudanças demográficas, os escândalos na igreja e às tendências culturais que dissuadem os jovens de assumirem compromissos para a vida e valorizá-los em vez de o fazerem à “ditadura do dinheiro”.

“Quantos seminários, igrejas, mosteiros e conventos vão fechar nos próximos anos?”, perguntou.

“Só Deus sabe”, respondeu.

Francisco já afirmou que a igreja deveria estudar a possibilidade de ordenar homens casados de fé provada, os designados “viri probati”, para oficiarem em comunidades remotas, que enfrentam a escassez de padres.

A proposta para os “viri probati” já é discutida há décadas, mas atraiu atenções recentes, devido ao primeiro papa latino-americano, que tem destacado os desafios enfrentados pela igreja em lugares como o Brasil, um imenso país católico, mas com uma falta aguda de padres.

A proposta deve ser discutida num encontro, em 2019, que vai reunir os bispos mundiais para discutir a região da Amazónia, onde a igreja conta com um padre para 10 mil católicos.