O relatório da Comissão de Reavaliação da Rede de Urgências, divulgado esta quarta-feira, propõe a despromoção da urgência médico-cirúrgica de Mirandela para básica. Esta situação poderá fazer com que a população, de todo o distrito de Bragança, fique apenas com uma urgência para casos mais graves, como observou à Lusa o presidente da Câmara de Mirandela.

De acordo com a agência Lusa, António Branco alerta que «basta um cálculo simples» para perceber que não se cumpre a orientação da própria comissão no sentido de que, com a reforma, todas as populações ficariam a uma hora de acesso de uma urgência com qualidade.



Mesmo com as novas estradas, as populações dos concelhos do sul do distrito, como Freixo de Espada à Cinta ou Torre de Moncorvo, permanecem a mais de uma hora de caminho até Bragança, feito ainda, em parte, por estradas sinuosas e de difícil acesso, como sublinhou o autarca social-democrata.

«Uma hora, em Trás-os-Montes, não é uma hora em Lisboa», observou o António Branco, defendendo que «não se pode usar o mesmo critério numa região despovoada e numa com a população mais concentrada».

Mirandela é o segundo maior concelho da região e o hospital local serve todo o sul do distrito.

A Comissão de Reavaliação da Rede de Urgências propõe o encerramento de 16 serviços em todo o país e a despromoção de outros, como é o caso de Mirandela.

Neste distrito existem apenas duas urgências básicas, em Macedo de Cavaleiros e Mogadouro, e duas médico-cirúrgicas, em Bragança e Mirandela, as que têm maior número de valências e capacidade para atender casos mais graves.

Ainda assim, a transferência de doentes urgentes para hospitais de outras regiões, nomeadamente Porto e Vila Real, são frequentes.

O antigo ministro da Saúde, Correia de Campos, que iniciou a reorganização dos serviços de Saúde, celebrou um protocolo com os autarcas locais, em que se comprometia a reforçar os meios de socorro e de emergência para compensar a falta de respostas na região e as distâncias.

O helicóptero do INEM baseado em Macedo de Cavaleiros é um dos meios em causa, mas o Ministério da Saúde anunciou que irá ser retirado em outubro e toda a região Norte passará a ser servida por uma única aeronave colocada em Vila Real.

A medida gerou a contestação unânime de todos os presidentes de câmara da região, que subscreveram uma providência cautelar para travar a retirada do helicóptero.
Redação