No Tribunal Judicial de Leira, arrancaram esta segunda-feira as audições dos principais arguidos do grupo conhecido por «máfia do Oeste», depois de o início do julgamento já ter sido adiado duas vezes.

As duas primeiras sessões do julgamento não se realizaram devido a problemas com os representantes de alguns dos arguidos.

Em julgamento estão quatro italianos e três portugueses detidos numa operação da Polícia Judiciária a 21 de outubro de 2010, na zona de Bombarral e Torres Vedras, acusados dos crimes de associação criminosa e burlas qualificadas, que terão lesado 20 empresas em 1,5 milhões de euros, descreve a agência Lusa.

Segundo o Ministério Público (MP) de Leiria, o líder do grupo é um italiano que possui um mandado de detenção europeu por supostas ligações à máfia siciliana e sobre o qual recaem as mesmas acusações imputadas aos restantes arguidos: burla qualificada, falsificação de documentos, associação criminosa, recetação e abuso de confiança.

O esquema montado passava por obter mercadoria a crédito junto de outras empresas europeias que nunca chegariam a receber o dinheiro, pode ler-se na acusação do MP.

Já em Portugal, os produtos eram escoados, no mínimo, a 30 por cento abaixo do valor de mercado, através de uma empresa sediada em Torres Novas, que é também arguida neste processo.

A acusação sustenta que a maioria das burlas foi alegadamente cometida junto de empresas da Noruega, Grã-Bretanha, Dinamarca, Espanha e França, causando um prejuízo de 1.363.522,57 euros, já que a mercadoria nunca chegou a ser paga.

O restante valor diz respeito a alegadas burlas a firmas portuguesas.

O grupo terá utilizado dados de empresas italianas conhecidas no mercado, procurando, desta forma, garantir credibilidade junto das empresas europeias contactadas para vender a mercadoria.

O MP está convencido de que o grupo estaria numa fase de crescimento, uma ideia sustentada pelo facto de dois dos elementos agora acusados, um português e um italiano, terem sido recrutados um mês antes das detenções realizadas pela PJ.

Os arguidos faziam desta atividade a sua profissão e a distribuição dos lucros era realizada de acordo com a hierarquia definida no seio do grupo, defende o MP, no seu despacho de acusação.
Redação