O advogado de Armando Vara no caso Face Oculta, Godinho de Matos, disse esta segunda-feira que a Ordem dos Advogados quis «amordaçar» os causídicos com o comunicado conjunto para não comentarem processos pendentes à comunicação social e fala em «golpe de estado judiciário» na questão das escutas.

«Pessoalmente é um erro gravíssimo [o comunicado do Conselho distrital de Lisboa e do Conselho Deontológico da AO]. Todos os dias somos confrontados com fugas de informações dos processos inteligentemente seleccionadas para crucificar arguidos e nós temos o dever de os defender. Não devemos abdicar desse direito», afirmou Godinho Matos.

O advogado falava à entrada do Tribunal Central de Investigação Criminal (TCIC) onde outro arguido, o funcionário da empresa O2 Namércio Cunha, está também a prestar declarações.

Para o advogado de Armando Vara, o aviso dos dois conselhos foi uma tentativa de colocar uma «mordaça» para calar os advogados, impedindo-os de comentar ou prestar declarações.

Quanto à polémica das escutas do processo, nomeadamente as que envolvem o primeiro-ministro, Godinho Matos considera «inequívoca» a resposta do presidente do Supremo Tribunal de Justiça para as destruir. «Surpreendentemente, as escutas continuam a não ser destruídas. Isto, tal como já disse, é um golpe de estado judiciário», frisou Godinho Matos, acrescentando ser um «perfeito disparate» o argumento de comparar o presidente do STJ, Noronha Nascimento, a um Juiz de instrução de qualquer comarca do país.
Redação / MM