Antigos mineiros de Jales, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, receberam, esta sexta-feira, indemnizações, 27 anos depois do encerramento e falência da mina de exploração de ouro, segundo alguns destes ex-trabalhadores e familiares.

Carlos Mendes, antigo trabalhador e dirigente sindical, afirmou aos jornalistas que este pagamento foi o resultado possível de quase 27 anos de “luta”, que se arrastou pelos tribunais, e de “muito trabalho”.

As minas de Jales, no distrito de Vila Real, foram as últimas de onde se extraiu ouro em Portugal e fecharam em 1992.

Esta sexta-feira, antigos mineiros ou familiares juntaram-se em Campo de Jales, onde receberam os cheques referentes a “24% da indemnização a que tinham direito” e que foi determinada pelo administrador judicial do processo.

Segundo Carlos Mendes, depois da falência da empresa Minas de Jales, os trabalhadores "ficaram sem nada" e reclamaram o dinheiro a que “tinham direito”, por salários em atraso e indemnizações pelo encerramento.

Disse ainda que são à volta de “200 mil euros” que vão ser distribuídos por cerca de “160 trabalhadores”.

A nossa missão é entregar até ao último tostão, esteja o trabalhador onde estiver”, frisou.

Carlos Mendes trabalhou 22 anos nas minas de Jales, onde foi encarregado geral, e explicou que a falência chegou depois da cotação do ouro começar a baixar e de dívidas acumuladas da empresa.

Isto são meias vitórias para mim, mas estou feliz”, frisou.

Maria Pereira de Sousa, 74 anos e viúva de um antigo mineiro, disse que esta sexta-feira foi "um dia especial”. “Mas era muito mais se o meu homem cá estivesse. Trabalhou cá muitos anos e ele nunca pensou que íamos ter este dinheiro”, salientou.

Fernando Almeida, 58 anos, referiu que “foram 27 anos de espera, mas veio”. “Já dá para tapar um buraco”, afirmou o antigo entivador (fazia o escoramento da mina).

Depois do fecho veio o desemprego. Muitos deixaram Jales, emigraram, migraram e outros regressaram às terras de origem.

No auge da exploração mineira em Jales chegaram a trabalhar entre 500 a 600 pessoas por dia nesta mina, muitas vindas de fora.

Em Campo de Jales, conservam-se as recordações e há também ainda muitos vestígios da antiga concessão.

Para além do cavalete de Santa Bárbara, com dois elevadores e por onde os trabalhadores e o equipamento desciam às galerias, ficou ainda o edifício, mesmo ao lado, onde estava instalado o motor que fazia funcionar os elevadores.

Depois de a mina fechar ficaram também problemas ambientais, com as escombreiras a céu aberto, que foram requalificadas em 2005, num projeto considerado pioneiro no país.

Há uns anos foi concessionada a prospeção e exploração de ouro em Jales/Gralheira, realizaram-se sondagens nesta zona, mas, em 2016, o Governo extinguiu a concessão porque o consórcio falhou todos os prazos.

Em fevereiro, o secretário de Estado da Energia, João Galamba, anunciou que, até ao verão, será lançado um novo concurso para a prospeção e pesquisa mineira de ouro em Jales.