Ficou em liberdade um homem suspeito de agredir a companheira e os filhos durante vários anos. O homem foi ouvido pelo Ministério Público, que decidiu mantê-lo em liberdade. O caso, que aconteceu no Barreiro, foi denunciado por uma vizinha.

Depois de ouvir, numa tarde, gritos das crianças, discussões e louça a partir dentro da habitação da família, esta vizinha chamou as autoridades, que ao chegarem ao local se depararam com a casa destruída.

O homem, que era consumidor de droga e álcool, terá ficado sozinho em casa com os menores numa altura em que a mãe foi trabalhar e agrediu-os com violência.

Ele ficou sozinho com as crianças, uma vizinha ouviu gritos e chamou a polícia", disse a mulher, identificada com o nome fictício Maria, à TVI24.

As crianças, de quatro e dez anos, ficaram feridas e foram, por isso, transportadas ao hospital para receberem tratamento.

"O mais pequeno tinha marcas na cara, o lábio com ferida”, disse a mulher. "A minha filha teve um hematoma na testa porque ele lhe deu com uma colher de pau".

O suspeito ainda tentou fugir às autoridades, saltando pela janela do prédio, mas a polícia conseguiu apanhar o homem e detê-lo.

"Quando a polícia chegou, ele tentou fugir e saltou por uma janela", contou Maria. “Ele escondeu-se debaixo do carro, mas a polícia conseguiu encontrá-lo".

Foi então ouvido pelo Ministério Público, que decidiu que este homem ficava em liberdade. Saiu com termo de identidade e residência.

De acordo com depoimentos da mulher em exclusivo à TVI24, a violência doméstica acontecia deste 2011.

Sou vítima de violência doméstica desde 2011. A nossa relação era normal, no início não havia problemas”, começou por contar a vítima acerca da relação com este homem, acrescentando que este se veio a tornar “uma pessoa agressiva, consumia droga e bebia álcool”.

Estivemos separados algumas vezes, mas acabava por perdoá-lo”, afirmou.

A mulher contou alguns dos episódios por que passou ao longo destes anos.

Bateu-me na cara, deu-me pontapés e fiquei com hematomas na cara. Ele partiu-me alguns dentes e não apresentei queixa por medo", continuou.

Com medo, a família teve de mudar de residência e teme agora o pior. A mulher pede que se faça justiça o mais rapidamente possível. Já depois dos acontecimentos, o homem terá ido à casa buscar algumas coisas.

"Arrombou uma janela para ir buscar os pertences e saiu de casa", disse Maria, acrescentado que este homem deixou uma ameaça. "Disse-me que o mundo era pequeno e ameaçou-me de morte".

"Sinto-me com medo, quero que seja feita justiça. Nunca quis apresentar queixa porque tinha medo que ele fizesse pior", declarou a mulher.

A mulher fala dos receios que tem por causa do ex-companheiro estar em liberdade. Refere, ainda assim, que as crianças se sentem mais calmas desde que o suspeito se afastou da vida delas.

"O meu filho não pergunta pelo pai e não pergunta onde ele está" e “vejo a minha filha com menos medo e mais aliviada, ela tinha medo dele".

Maria sublinhou que o sentimento de alívio ainda não chegou, sobretudo por saber que o homem está à solta. "Estou sempre com medo, não posso estar na rua sozinha".